quarta-feira, 26 de junho de 2019

Quando os terraplanistas salvaram o governo Bolsonaro.




Você já ouvir falar em terraplanistas? Se você acompanha a política brasileira, provavelmente conheceu um pouco deles nas últimas semanas através do professor Olavo de Carvalho, até então reconhecido como “guru” do Presidente Bolsonaro e, segundo a mídia, grande influenciador do governo. Mas afinal, por que Olavo começou a falar com e até defender os terraplanistas? Seria o atestado final de que ele é realmente apenas um velho caduco, como dizem os opositores? Não! Essa história tem muito mais de sagacidade do que de loucura. Mas primeiro, precisamos olhar o contexto dos acontecimentos.
Olavo de Carvalho foi o grande responsável pela eleição do presidente Bolsonaro. Além de ser um grande influenciador de milhares de estudantes, que o acompanham através do curso online, e por consequência, disseminam o pensamento Olavista aos quatro cantos. Carvalho também é reconhecido como o precursor do que se chama de Nova Direita, além de ter feito campanha aberta em prol de Bolsonaro durante as eleições. O presidente também é um leitor do filósofo, e inclusive colocou um de seus livros sobre a bancada no primeiro discurso após eleito. Esses ingredientes chamaram a atenção da mídia para o Filósofo, que até então não tinha grande destaque nos noticiários ou capas de revista.
Iniciado o Governo Bolsonaro, logo começaram a pipocar as polêmicas. O presidente fez algo inédito no país, que é tentar cumprir as promessas de campanha, e começou a trabalhar forte, muitas vezes na base de decretos. Isso elevou os ânimos, que ainda foram aguçados pelas fortes palavras dos representantes do governo. O Presidente nunca foi de economizar nas palavras, mas agora tinha ministros, filhos e vice, todos falando pelos cotovelos. Ainda assim, quem mais chamava a atenção era Olavo, que se posicionava sobre diversas questões, dava palpites, broncas, e parecia ter grande influencia nas decisões do Presidente. Entretanto, isso não estava dando certo. Era muita polêmica e pouco foco nos projetos e na articulação política. Tudo estava ruindo.
Foi nesse cenário que Olavo de Carvalho deu um ultimato: disse claramente que havia desistido da política brasileira e não falaria mais sobre o assunto. Isso aconteceu pouco tempo após o professor se encontrar pessoalmente com o Presidente nos EUA. Curiosamente, as grandes polêmicas no governo pararam de aparecer. Parece que todos fizeram um pacto de para falar menos e trabalhar mais. Entretanto, Olavo conhece bem como funciona o comportamento humano, e sabia que os opositores precisariam de algo para atirar pedras, e a mídia precisaria notícia, de sangue.
Olavo, então, fez algo realmente genial. Logo que se retirou do debate político, começou a falar sobre Terra Plana e a dialogar com terraplanistas. Essa jogada chamou toda a atenção para o filósofo e aliviou as tenções no governo, que pode continuar o trabalho nas reformas pretendidas, e as coisas começaram a fluir. O filósofo sabe que as massas não estão interessadas em discutir ideias, e sim as pessoas, e se posicionar como terraplanista era tudo o que os adversários precisavam para destruir de vez sua reputação. O mais curioso de tudo, é que Olavo JAMAIS defendeu que a Terra é plana ou que não é. Ele apenas deu atenção a esse assunto e se colocou à disposição de ouvir os argumentos dos terraplanistas, dizendo no máximo, que alguns experimentos faziam sentido, mas que não eram suficientes para provar nada. Olavo apenas respeitou a opinião do próximo, sem julgar antecipadamente, como é de praxe da natureza social. Olavo sabia que seria julgado, condenado e crucificado como mais um louco que acredita que a Terra é Plana. Pode-se dizer que Olavo se fez de “boi de piranha”, atraindo toda a atenção e deixando o governo trabalhar. Parabéns pela coragem, Olavo!

terça-feira, 11 de junho de 2019

Limpando o esgoto



Certa vez assisti um documentário sobre o trabalho de manutenção dos esgotos na cidade de São Paulo. É muito complicado “limpar” um esgoto. A equipe tinha que trabalhar durante a madrugada e tinha poucas horas pra fazer o trabalho. Era sofrido e bem pesado mesmo. Entravam dentro das tubulações e faziam a manutenção e troca de algumas peças. O cheiro devia ser horrível, e no final, todos saíam de lá impregnados de merda até o pescoço. Isso me deixou uma mensagem: pra limpar algo extremamente sujo, você vai acabar se sujando também.
A política brasileira é um grande esgoto entupido. A operação Lava Jato vêm, há tempos, tentando fazer uma limpeza geral. Mas nessa semana sofreu um grande baque! Parece que os responsáveis pela operação tiveram que se sujar um pouco. Aparentemente trocaram mensagens que não podiam ser trocadas e combinaram coisas que não podiam ser combinadas. Talvez seja o suficiente para acabar com operação, e por em xeque todos os processos em tramitação e os já julgados. A tal reputação ilibada, parece não pertencer mais aos promotores e juízes de Curitiba.
É romântico acreditar que é possível vencer os corruptos brasileiros jogando dentro das regras, mas é preciso dizer: isso é impraticável! São esses políticos que criam essas regras, e claro, artistas do crime que são, não deixariam de criar as brechas necessárias para sempre se safarem e garantir a manutenção dos seus grupos no poder. É claro e cristalino o funcionamento promíscuo das leis brasileiras e é utópico crer que é possível condenar um grande cacique político seguindo essas mesmas leias à risca.
Ainda me surpreende a eficácia da operação Lava Jato, que conseguiu elaborar processos perfeitos, que foram destrinchados pelos advogados mais caros que o dinheiro pode comprar, e ainda assim sobreviveram. Vale lembrar que qualquer falha processual, qualquer deslize, pode anular tudo! Mas até essa semana isso não aconteceu. Não sobraram pontas soltas. Acontece que, aparentemente, também é ilegal a troca de mensagens particulares entre juízes e promotores para garantir essa perfeição processual, e isso se tornou um grande crime nessa semana.
Agora, veremos como o “brasileiro médio” (como os brasileiros que se acham superiores gostam de chamar o povão) vai interpretar essa situação. O brasileiro trabalhador, que não suporta nenhum deslize de caráter ou desvio de conduta, deverá julgar o quão criminosos são os responsáveis pela operação Lava Jato. Só espero que se atentem ao fato, de que é impossível limpar um esgoto sem sujar as mãos.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Futebol: Gestão x Resultados



O futebol é um grande laboratório para os gestores de empresas se observado com devida atenção. Além de ser um grande lazer para os fãs e possuir o monopólio do esporte brasileiro, é possível observar através do futebol como uma gestão eficiente pode trazer grandes resultados. O campeonato brasileiro acabou de começar, mas já podemos tirar boas lições se analisarmos o que aconteceu até aqui e o histórico recente das equipes.
O que chama mais atenção nesse início é a solidez do Palmeiras e a instabilidade do Flamengo. O alviverde começou à altura do seu investimento. Se mantem invicto e como grande favorito ao título. Vai ser muito difícil evitar que o Palmeiras seja campeão brasileiro mais uma vez. O clube possui um plantel de causar inveja, possibilitando ao Felipão fazer várias formações e variações táticas. Se juntar somente os destaques do Palmeiras e completar com jogadores medianos, é possível montar pelo menos três times de qualidade. Isso vale muito num campeonato de pontos corridos, onde o time mais estável leva o título. Mas o que faz o Palmeiras se manter no topo, é a solidez da gestão. O time possui vários atletas de comportamento explosivo (o que pode custar em jogos eliminatórios), mas tem conseguido segurar os ânimos, porque o ambiente está controlado e as grandes confusões tem sido evitadas. Isso é muito diferente do Flamengo, onde parece existir uma balbúrdia crônica, e o caos impera. O Flamengo não sabe o que é paz há alguns anos, e ninguém consegue tomar as rédeas do clube. O resultado disso é uma instabilidade geral, onde cada tropeço se transforma numa crise e reflete em resultados ruins. Exemplo disso é o jogo desse final de semana, onde por pouco não foi derrotado pelos reservas do Atlético Paranaense, o que poderia culminar com a demissão de Abel Braga. Mais uma vez o clube ficaria sem técnico, e teria a temporada seriamente ameaçada. Não fosse a inocência dos meninos do Atlético, isso teria acontecido!
Por fora correm os outros três grandes de SP. O Corinthians segue sua sina de ter times inferiores, mas se manter brigando na parte de cima da tabela. Resultado de uma boa gestão que já duram anos. O time do Parque São Jorge poderia brigar em nível de investimento com Flamengo e Palmeiras, mas não conta com o dinheiro das bilheterias, que vai todo para pagar o estádio, e ainda assim consegue manter um ambiente tranquilo. Não se vê confusões, brigas e a equipe sabe escolher seus líderes. Se os times de cima bobearem, o Corinthians pode brigar. São Paulo e Santos começaram muito bem. O tricolor foi reconhecido e premiado na década passada exatamente pela grande gestão, mas se perdeu nos últimos anos e tem tentado se recuperar. Esse ano parece mais estável e com um bom grupo de atletas. O Santos vem de anos recentes instáveis, mas mudou a gestão e trouxe um grande técnico, além de ser um ninho de grandes craques. Longe de confusões pode terminar o campeonato bem colocado.
Os outros, considerados favoritos antes do início no campeonato, são os grandes de Minas e Rio Grande do Sul, principalmente Cruzeiro e Grêmio, que tem enfrentado grandes problemas e resultados ruins, e se não começarem a diminuir a distancia para o líder logo, daqui a algumas rodadas pode ser tarde demais. Claro que o Atlético Mineiro merece destaque pelo segundo lugar atual, mas sinceramente, não deve se manter entre os primeiros colocados.
Um clube de futebol é muito similar a uma empresa, tanto que grandes equipes no mundo são geridas por empresários e galgam lugares de destaque nos seus países. Os resultados do futebol brasileiro mostram exatamente como a estabilidade na gestão pode refletir em bons resultados. Uma empresa, onde falta ou inexiste liderança e sobra confusão, não consegue alcançar suas metas e objetivos. Somente os clubes que se organizarem internamente, vão se manter entre os grandes!

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Emolumentos




Vejam bem esta taxa cobrada por uma certidão simples em um cartório no Brasil. Está destacado o item chamado EMOLUMENTOS, que significa na prática, o lucro acusado nessa operação. Hoje tive que pagar duas dessas certidões para poder dar sequencia em um empreendimento. Isso parece justo?
São esses tipos de custos e burocracias que brecam o empreendedorismo no Brasil. São tantas taxas, empecilhos e tempo perdido, que acabam por desanimar os desavisados a investir seu patrimônio na iniciativa privada. Eu, depois de estar muito calejado com tal realidade, já estava preparado e ciente dos desafios a se enfrentar, mas um novo empreendedor, que está disposto  investir nos seus sonhos, acaba vencido por tamanhos abusos e disparates. Numa realidade em que as empresas acusam lucros reais de 5% ao fim do exercício, quando as coisas vão muito bem, é desanimador perceber que você paga uma porcentagem tão alta por um documento tão simples, que poderia muito bem ser emitido online e sem custos. Essa realidade mina o empreendedorismo e acaba por refletir nas centenas de portas fechadas nas ruas da nossa cidade. Cada prédio desocupado poderia ocupar uma pequena empresa com cinco ou dez funcionários, o que colaboraria decisivamente para reduzir o desemprego e por consequência, as desigualdades sociais.
O Brasil não valoriza o pequeno empresário e impõe a ele diversas barreiras desanimadoras. É sobre essas burocracias que os defensores do liberalismo e do estado mínimo lutam todos os dias. Esperamos que o novo governo mantenha sua posição de impulsionar o mercado reduzindo a burocracia e facilitando a vida dos empreendedores.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A eleição foi decidida numa facada


Há pouco mais de uma hora, o candidato à presidência Jair Bolsonaro foi esfaqueado durante um evento da sua campanha. Esse episódio pode ser decisivo para esta eleição, que até então era a mais imprevisível dos últimos trinta anos. Entretanto, para entender como entregaram a eleição para o Bolsonaro, é preciso esquecer um pouco as visões e as preferências políticas e pensar em como a população em geral enxergará esse episódio, principalmente os indecisos.
Bolsonaro vem liderando as pesquisas no primeiro turno, mas perde em vários cenários no segundo turno. Isso acontece por causa da grande rejeição que o candidato enfrenta da população brasileira. Com esse trágico episódio de hoje, Bolsonaro pode reverter essa situação e conquistar preciosos votos para o segundo turno, ou ainda resolver tudo no primeiro pleito. O grande tendão de Aquiles de Bolsonaro sempre foi seu posicionamento polêmico e sua falta de humanidade. Mas na visão do eleitor comum, esse ataque covarde ao candidato, dá a ele a oportunidade de demonstrar um lado mais humano, além de oferecer munição para reafirmar seus posicionamentos firmes contra a violência. O brasileiro pode ter vários defeitos, mas não suporta a covardia e agressões baratas. Os próprios apoiadores das ideologias de esquerda podem ficar desconfortáveis em apoiar um movimento que é capaz desse tipo de atitude. Uma prova da gravidade do deslize, é que no exato momento que escrevo esse texto, a Globo News está fazendo um esforço dantesco para desvencilhar o agressor das ideologias de esquerda, e numa estratégia desesperada, estão colocando a culpa até na Maçonaria. Mas as redes sociais do agressor não mentem. Bolsonaro tem agora a chance de abordar uma estratégia focada no eleitor que jamais pensaria em votar nele. Os eleitores que já tinham preferência por ele, agora terão ainda mais certeza convicção e se mobilizarão para apoiá-lo.
A bobagem feita hoje por esse agressor foi tão grande, que cheguei a cogitar a possibilidade de ser uma cena armada pela comitiva do Bolsonaro, tamanha a vantagem competitiva que esse episódio lhe proporciona. Afinal, nessa política brasileira pode-se esperar de tudo. Mas o tamanho da arma utilizada e a gravidade do ferimento, logo jogaram essa teoria da conspiração por terra. Resta agora Bolsonaro saber utilizar esse acontecimento como fator positivo para sua campanha, e tudo estará encaminhado para sua vitória.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Brasil: Os melhores políticos do mundo.



O Brasil passou nos últimos anos por grandes crises institucionais e políticas. Enfrentamos uma das maiores crises econômicas da história, grandes escândalos de corrupção vieram ao conhecimento da população, o povo foi às ruas para exigir honestidade e transparência dos seus representantes, e algumas coisas mudaram. Mas um ponto continua intacto na nossa realidade social: os chefões do sistema ainda são os mesmos. As mesmas caras, os mesmos métodos. Por esse motivo, creio que os políticos brasileiros são os melhores do mundo. Não em fazer coisas boas para a população e administrar o país de maneira eficiente, mas em defender suas posições de maneira quase impossível de se combater.
Os políticos brasileiros criaram um sistema de leis e burocracia, onde se torna muito difícil alguém que não é do meio adentrar. Ou você está com eles, ou está fora do jogo. Esse sistema cerceia qualquer intenção de fazer algo novo ou diferente da politicagem que já é costumeira. É um modelo complexo que envolve todos os poderes, conta com participação intensa da mídia, e com um programa de “emburrecimento” geral da população. O sistema eleitoral exige, antes de um cidadão comum sequer cogitar ser eleito a algum cargo, que ele se filie a um partido e forçadamente conheça as regras do jogo. O poder judiciário dá respaldo aos criminosos, protegendo-os com um sistema de julgamentos lento e cheio de interesses, onde a maioria dos investigados acaba sendo inocentado e fica livre para permanecer na vida pública. O resultado desse emaranhado de mecanismos de defesa permite que, mesmo em meio a tanta reprovação pública e descontentamento, os mesmos políticos se perpetuem nos cargos, e apenas se revezem quem fica à frente do poder.
A população tem percebido esse cenário de maneira lenta, mas crescente. Isso permitirá que as eleições desse ano apresentem um cenário um pouco diferente. Muitas caras novas se dispuseram a tentar uma chance nas urnas, e alguns dos “barões do país” estão presos ou proibidos de concorrer. Será a chance ideal e muito rara de mudarmos grande parte dos representantes da sociedade. O perigo para essa renovação é o sentimento comum de que esses novos políticos não terão chance de levar em frente seus projetos, por não terem experiência política. E é exatamente esse pensamento que pode levar tudo a continuar como está, pois é nisso que o sistema político quer que acreditemos. Esse é o momento de analisar com alguma calma as novas propostas e as novas pessoas que se apresentam, e quem sabe, mudar os rumos do país. Afinal, se existe uma definição para a ignorância, é o fato de fazer as coisas da mesma maneira, e esperar resultados diferentes.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Porque o Corinthians ganhou e o Palmeiras perdeu. (Este texto visa analisar os bastidores dos clubes, e tenta ser isento de clubismos).



Em 2007 o Corinthians chegou ao fundo do poço da sua história. Queda para a série B, dívidas enormes, crise com sua torcida, e vergonha frente aos adversários que colecionavam sucessos. Uma reestruturação teve de ser feita em todos os setores do clube, e nos anos seguintes o clube renasceu e colecionou títulos. O Palmeiras, seu grande rival, também enfrentou um início de século muito ruim, destoante da sua história. Foram dois rebaixamentos e muitos anos sem levantar uma taça. Nos últimos anos o Palmeiras também se reinventou. Com um patrocinador forte e muito dinheiro em caixa, conseguiu montar elencos recheados de craques e voltou a comemorar títulos, sendo considerado por muitos o melhor time do Brasil, mas o Corinthians continuou se sobressaindo em conquistas, sendo a última delas contra o grande rival na arena do Adversário.
Mas onde o Corinthians acertou e o Palmeiras errou? Creio que o principal pilar da força do alvinegro é o padrão de jogo adotado e a cultura para escolher jogadores que tem identidade com o modelo adotado. Cada contratação passa por uma análise aprofundada, não somente da qualidade técnica dos jogadores, mas do perfil comportamental e ético. Não existe rixa no vestiário do Corinthians, e as confusões internas são abafadas e não viram escândalos midiáticos. O Palmeiras contratou dezenas de jogadores, mas ainda não conseguiu montar um time. Está provado que não basta ter elenco.
Outro aspecto importante na administração corintiana é a segurança que os técnicos tem para trabalhar. Estes, também são escolhidos para se encaixar no modelo proposto pelo time e tem respaldo e tempo para desenvolver seu trabalho. Basta lembrar da derrota em 2011 para o Tolima, quando o presidente bancou  a permanência do Sr. Adenor, e essa atitude foi fundamental para as conquistas do Brasileiro daquele ano, Libertadores, Recopa, e Mundial no ano seguinte. O Palmeiras ainda não conseguiu estabelecer essa sequencia e tranquilidade nos bastidores, e segue sofrendo com instabilidade e fraquejando nos momentos decisivos.
Creio que nos próximos anos, o Corinthians deve enfrentar mais dificuldades que o Palmeiras, principalmente pelo fluxo de caixa instável motivado pelas dívidas milionárias da Arena, e considero inevitável que o Palmeiras seja o clube a ser perseguido pelos demais na América do Sul, mas para isso precisa organizar rapidamente os bastidores do clube. Por enquanto o Corinthians faz mais com menos.


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Democracia ameaçada


Nesta semana, Londrina acompanhou o fim do processo de cassação do Vereador Emerson Petriv, o Boca Aberta. Com votos favoráveis de quatorze dos seus colegas da câmara, Boca foi cassado e agora terá que lutar nos tribunais para reaver sua cadeira. O crime cometido pelo vereador: fazer uma “vaquinha” na internet para arrecadar fundos. Sim! Londrina cassou o vereador mais votado da história da cidade por pedir dinheiro na internet para pagar uma multa eleitoral, e foi acusado de quebra de decoro.
Nunca simpatizei com o Boca Aberta. Acho seus métodos de fazer política um tanto quanto espalhafatosos e sempre o vi tratando adversários com certo desrespeito. O fato é que mais de 11 mil pessoas pensam diferente, e o elegeram como seu representante, sonhando exatamente em ver algo novo na política, tão fragilizada por anos de corrupção sistêmica. É disso que se trata a democracia! Boa parte da população também não simpatiza com a maioria dos políticos a nível regional e nacional, mas pouco podem fazer, pois eles estão no poder alicerçados pelo voto de milhões de pessoas – ao menos a maioria deles. O voto é a única ferramenta que a população possui para demonstrar sua vontade, e os vereadores de Londrina rasgaram o voto de mais de 11 mil londrinenses.
Cada vez mais o cenário político se afunda num mar de lama, e o voto do brasileiro fica mais desvalorizado. Não basta ser eleito. O político precisa entrar na engrenagem do sistema e fazer as vontades dos poderosos, senão será eliminado sumariamente. Emerson Petriv não teve tempo de mostrar a que veio. Logo que começou a bater de frente com o sistema, por mais questionáveis que fossem os meios, foi cassado. Os vereadores londrinenses não esperaram, sequer, um motivo mais concreto para justificar o processo de cassação, e se encostaram no mais frágil dos motivos.
Os brasileiros veem atônitos a democracia desabar. Corruptos de carreira se perpetuam no poder e caras novas na política são expulsos do sistema ou se entregam a ele. O voto perdeu seu valor e a vontade do povo não é mais levada em consideração, apenas a manutenção do poder para os poderosos. Esse cenário leva pessoas honestas a sentirem aversão à política e manterem distância, o que tira ainda mais a esperança de renovação. Caminhamos para um futuro incerto e perigoso. A democracia sustenta a ordem da nação e dá esperança ao povo. Se ela continuar sendo achincalhada, o povo cairá num abismo de desesperança e a ordem estará seriamente ameaçada.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A herança podre das leis trabalhistas.




Portas fechadas e placas de “aluga-se”. Esse é o cenário em grande parte do centro de Londrina. Ruas inteiras, onde outrora o comercio prosperou, estão cheias de marasmo e desesperança. O país enfrenta uma crise profunda causada por motivos globais, mas principalmente por problemas bem brasileiros como corrupção, desonestidade, ganância e muita burocracia. Muitos comércios londrinenses fecharam por consequência da crise, mas seria ela a única culpada?
O Brasil sempre foi um país onde a burocracia reinou e as leis trabalhistas foram unilaterais, entretanto, isso piorou drasticamente na última década, e as grandes vítimas desse pesadelo são os pequenos comerciantes. Pessoas que alimentam um sonho de empreender sofrem com seu despreparo e com a falta de bom senso do governo e da legislação trabalhista. Os grandes empresários sentem menos os reflexos da unilateralidade da lei, pois tem lastro para enrolar processos e possuem uma estrutura robusta para se defender. O pequeno comerciante não tem essa tranquilidade, nem essa malandragem.
Não são poucas as histórias de pessoas que investiram tudo o que tinham numa pequena empresa em busca liberdade e prosperidade. Em pouco tempo esses novos empresários estavam enfrentando a burocracia sistêmica do governo e recebendo cartas de reclamações trabalhistas, e ai começava o pesadelo! A lei, que será alterada, permite que o reclamante – ou seu advogado – insiram alegações falsas no processo, inexistindo punição na legislação trabalhista para tal comportamento, pois o reclamante é considerado hipossuficiente. Quando são juntadas as provas, o pequeno empresário não consegue se defender de todas as alegações, pois confia no que foi combinado e não possui estrutura administrativa para documentar todos os processos da empresa. Os juízes, abarrotados de processos trabalhistas, incentivam as partes a chegar num acordo e definir um valor para o empresário pagar. Esse cenário estimula os funcionários a entrar com reclamações mesmo quando sabem que em nada foram lesados e isso levou o número de processos à casa dos milhões, causando lentidão generalizada no sistema.
A nova lei, em especial os artigos que tratam da litigância de má fé, deve mudar esse quadro, pois promete punir quem apresentar inverdades na reclamação trabalhista, desencorajando o início de processos com alegações falsas e diminuindo o número total de reclamações. Esse cenário deve ajudar, inclusive, os reclamantes que de fato foram lesados pelos empregadores, pois fará com que a espera por audiências seja cada vez menor.  A esperança é que essa nova realidade traga esperança e otimismo aos pequenos empreendedores e novo fôlego ao tão abalado comércio londrinense, afinal, quem em sã consciência vai arriscar seu capital abrindo uma empresa para depois enfrentar uma das crises mais profundas da história, muita burocracia, e ainda ser acusado de desonesto?

sexta-feira, 28 de abril de 2017

As reformas são urgentes

O Brasil vive um momento ímpar na sua história. Em meio aos escândalos expostos pela operação Lava Jato, que deixam cada vez mais evidente o caos de corrupção que toma conta de todos os setores do governo, os políticos da situação trabalham para aprovar medidas duras que visam organizar as contas públicas e evitar que o país entre numa crise sem precedentes na nossa história, que pode ser inclusive, muito maior do que a crise que enfrentamos hoje. A primeira grande reforma foi a PEC 241, que visa frear o crescimento dos gastos públicos nos próximos 20 anos. Agora, tentam aprovar a reforma trabalhista e a reforma da previdência.
Essa preocupação exacerbada por parte de alguns políticos para fazer mudanças tão polêmicas, não é fruto apenas da sua boa vontade para com a nação, o que já eles já provaram não ser o seu forte. Fica cada vez mais evidente que a organização das contas públicas e as desburocratização nas relações trabalhistas são pontos cruciais no que tange o futuro do país e dos brasileiros.
A reforma trabalhista, apesar de ainda não ideal, visa fomentar o empreendedorismo e devolver a confiança ao empresariado, principalmente aos pequenos empresários, que há tempos se sentem temerosos em investir, desmotivados pelas incertezas econômicas, e principalmente pelas incoerências da justiça trabalhista. Da maneira que é hoje, as empresas não tem nenhum suporte ou garantias de que os processos trabalhistas serão julgados de maneira justa. As relações são postas de maneira que empresa e empregado se tornam adversários e nenhum dos dois lados tem liberdade para escolher as condições dos contratos, ficando tudo a cargo dos sindicatos, que são mantidos por descontos impostos na folha de pagamento dos empregados. A reforma visa dar liberdade para as partes negociarem e acabar com o imposto sindical obrigatório, deixando espaço assim, somente para os sindicatos que realmente trabalham em prol do trabalhador.
A Reforma da Previdência é ainda mais importante, pois cuida diretamente da economia. Basta um olhar simplório nas contas públicas para se perceber quer o país ruma para o caos. A Previdência Privada foi saqueada desde sua criação por todos os governos. O dinheiro foi utilizado para cobrir as despesas ou para criar infraestrutura, mas nunca foi devolvido. Foi ainda vítima de fraudes e descaso. Agora, com muito mais gente recebendo o benefício, em breve o governo não terá como pagar, e será obrigado a dar o calote nos aposentados, levando milhões de pessoas à miséria total. Mesmo com a reforma sendo aprovada, o colapso no futuro ainda é quase certo, mas caso seja reprovada, isso acontecerá já nos próximos anos, e os reflexos serão terríveis.
Esse cenário caótico que vivemos hoje poderia ser evitado muito antes, caso os políticos brasileiros se preocupassem em gerir o país com responsabilidade, e não apenas com sua permanência no poder. Infelizmente, a maioria deles não tem esse senso de ética e enterraram o país nesse buraco. Agora, são necessárias medidas urgentes e pontuais, que trarão consequências duras ao povo brasileiro. Já não se trata apenas de política, mas sim de economia, e ela não aceita desaforo.

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