quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A eleição foi decidida numa facada


Há pouco mais de uma hora, o candidato à presidência Jair Bolsonaro foi esfaqueado durante um evento da sua campanha. Esse episódio pode ser decisivo para esta eleição, que até então era a mais imprevisível dos últimos trinta anos. Entretanto, para entender como entregaram a eleição para o Bolsonaro, é preciso esquecer um pouco as visões e as preferências políticas e pensar em como a população em geral enxergará esse episódio, principalmente os indecisos.
Bolsonaro vem liderando as pesquisas no primeiro turno, mas perde em vários cenários no segundo turno. Isso acontece por causa da grande rejeição que o candidato enfrenta da população brasileira. Com esse trágico episódio de hoje, Bolsonaro pode reverter essa situação e conquistar preciosos votos para o segundo turno, ou ainda resolver tudo no primeiro pleito. O grande tendão de Aquiles de Bolsonaro sempre foi seu posicionamento polêmico e sua falta de humanidade. Mas na visão do eleitor comum, esse ataque covarde ao candidato, dá a ele a oportunidade de demonstrar um lado mais humano, além de oferecer munição para reafirmar seus posicionamentos firmes contra a violência. O brasileiro pode ter vários defeitos, mas não suporta a covardia e agressões baratas. Os próprios apoiadores das ideologias de esquerda podem ficar desconfortáveis em apoiar um movimento que é capaz desse tipo de atitude. Uma prova da gravidade do deslize, é que no exato momento que escrevo esse texto, a Globo News está fazendo um esforço dantesco para desvencilhar o agressor das ideologias de esquerda, e numa estratégia desesperada, estão colocando a culpa até na Maçonaria. Mas as redes sociais do agressor não mentem. Bolsonaro tem agora a chance de abordar uma estratégia focada no eleitor que jamais pensaria em votar nele. Os eleitores que já tinham preferência por ele, agora terão ainda mais certeza convicção e se mobilizarão para apoiá-lo.
A bobagem feita hoje por esse agressor foi tão grande, que cheguei a cogitar a possibilidade de ser uma cena armada pela comitiva do Bolsonaro, tamanha a vantagem competitiva que esse episódio lhe proporciona. Afinal, nessa política brasileira pode-se esperar de tudo. Mas o tamanho da arma utilizada e a gravidade do ferimento, logo jogaram essa teoria da conspiração por terra. Resta agora Bolsonaro saber utilizar esse acontecimento como fator positivo para sua campanha, e tudo estará encaminhado para sua vitória.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Brasil: Os melhores políticos do mundo.



O Brasil passou nos últimos anos por grandes crises institucionais e políticas. Enfrentamos uma das maiores crises econômicas da história, grandes escândalos de corrupção vieram ao conhecimento da população, o povo foi às ruas para exigir honestidade e transparência dos seus representantes, e algumas coisas mudaram. Mas um ponto continua intacto na nossa realidade social: os chefões do sistema ainda são os mesmos. As mesmas caras, os mesmos métodos. Por esse motivo, creio que os políticos brasileiros são os melhores do mundo. Não em fazer coisas boas para a população e administrar o país de maneira eficiente, mas em defender suas posições de maneira quase impossível de se combater.
Os políticos brasileiros criaram um sistema de leis e burocracia, onde se torna muito difícil alguém que não é do meio adentrar. Ou você está com eles, ou está fora do jogo. Esse sistema cerceia qualquer intenção de fazer algo novo ou diferente da politicagem que já é costumeira. É um modelo complexo que envolve todos os poderes, conta com participação intensa da mídia, e com um programa de “emburrecimento” geral da população. O sistema eleitoral exige, antes de um cidadão comum sequer cogitar ser eleito a algum cargo, que ele se filie a um partido e forçadamente conheça as regras do jogo. O poder judiciário dá respaldo aos criminosos, protegendo-os com um sistema de julgamentos lento e cheio de interesses, onde a maioria dos investigados acaba sendo inocentado e fica livre para permanecer na vida pública. O resultado desse emaranhado de mecanismos de defesa permite que, mesmo em meio a tanta reprovação pública e descontentamento, os mesmos políticos se perpetuem nos cargos, e apenas se revezem quem fica à frente do poder.
A população tem percebido esse cenário de maneira lenta, mas crescente. Isso permitirá que as eleições desse ano apresentem um cenário um pouco diferente. Muitas caras novas se dispuseram a tentar uma chance nas urnas, e alguns dos “barões do país” estão presos ou proibidos de concorrer. Será a chance ideal e muito rara de mudarmos grande parte dos representantes da sociedade. O perigo para essa renovação é o sentimento comum de que esses novos políticos não terão chance de levar em frente seus projetos, por não terem experiência política. E é exatamente esse pensamento que pode levar tudo a continuar como está, pois é nisso que o sistema político quer que acreditemos. Esse é o momento de analisar com alguma calma as novas propostas e as novas pessoas que se apresentam, e quem sabe, mudar os rumos do país. Afinal, se existe uma definição para a ignorância, é o fato de fazer as coisas da mesma maneira, e esperar resultados diferentes.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Porque o Corinthians ganhou e o Palmeiras perdeu. (Este texto visa analisar os bastidores dos clubes, e tenta ser isento de clubismos).



Em 2007 o Corinthians chegou ao fundo do poço da sua história. Queda para a série B, dívidas enormes, crise com sua torcida, e vergonha frente aos adversários que colecionavam sucessos. Uma reestruturação teve de ser feita em todos os setores do clube, e nos anos seguintes o clube renasceu e colecionou títulos. O Palmeiras, seu grande rival, também enfrentou um início de século muito ruim, destoante da sua história. Foram dois rebaixamentos e muitos anos sem levantar uma taça. Nos últimos anos o Palmeiras também se reinventou. Com um patrocinador forte e muito dinheiro em caixa, conseguiu montar elencos recheados de craques e voltou a comemorar títulos, sendo considerado por muitos o melhor time do Brasil, mas o Corinthians continuou se sobressaindo em conquistas, sendo a última delas contra o grande rival na arena do Adversário.
Mas onde o Corinthians acertou e o Palmeiras errou? Creio que o principal pilar da força do alvinegro é o padrão de jogo adotado e a cultura para escolher jogadores que tem identidade com o modelo adotado. Cada contratação passa por uma análise aprofundada, não somente da qualidade técnica dos jogadores, mas do perfil comportamental e ético. Não existe rixa no vestiário do Corinthians, e as confusões internas são abafadas e não viram escândalos midiáticos. O Palmeiras contratou dezenas de jogadores, mas ainda não conseguiu montar um time. Está provado que não basta ter elenco.
Outro aspecto importante na administração corintiana é a segurança que os técnicos tem para trabalhar. Estes, também são escolhidos para se encaixar no modelo proposto pelo time e tem respaldo e tempo para desenvolver seu trabalho. Basta lembrar da derrota em 2011 para o Tolima, quando o presidente bancou  a permanência do Sr. Adenor, e essa atitude foi fundamental para as conquistas do Brasileiro daquele ano, Libertadores, Recopa, e Mundial no ano seguinte. O Palmeiras ainda não conseguiu estabelecer essa sequencia e tranquilidade nos bastidores, e segue sofrendo com instabilidade e fraquejando nos momentos decisivos.
Creio que nos próximos anos, o Corinthians deve enfrentar mais dificuldades que o Palmeiras, principalmente pelo fluxo de caixa instável motivado pelas dívidas milionárias da Arena, e considero inevitável que o Palmeiras seja o clube a ser perseguido pelos demais na América do Sul, mas para isso precisa organizar rapidamente os bastidores do clube. Por enquanto o Corinthians faz mais com menos.


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Democracia ameaçada


Nesta semana, Londrina acompanhou o fim do processo de cassação do Vereador Emerson Petriv, o Boca Aberta. Com votos favoráveis de quatorze dos seus colegas da câmara, Boca foi cassado e agora terá que lutar nos tribunais para reaver sua cadeira. O crime cometido pelo vereador: fazer uma “vaquinha” na internet para arrecadar fundos. Sim! Londrina cassou o vereador mais votado da história da cidade por pedir dinheiro na internet para pagar uma multa eleitoral, e foi acusado de quebra de decoro.
Nunca simpatizei com o Boca Aberta. Acho seus métodos de fazer política um tanto quanto espalhafatosos e sempre o vi tratando adversários com certo desrespeito. O fato é que mais de 11 mil pessoas pensam diferente, e o elegeram como seu representante, sonhando exatamente em ver algo novo na política, tão fragilizada por anos de corrupção sistêmica. É disso que se trata a democracia! Boa parte da população também não simpatiza com a maioria dos políticos a nível regional e nacional, mas pouco podem fazer, pois eles estão no poder alicerçados pelo voto de milhões de pessoas – ao menos a maioria deles. O voto é a única ferramenta que a população possui para demonstrar sua vontade, e os vereadores de Londrina rasgaram o voto de mais de 11 mil londrinenses.
Cada vez mais o cenário político se afunda num mar de lama, e o voto do brasileiro fica mais desvalorizado. Não basta ser eleito. O político precisa entrar na engrenagem do sistema e fazer as vontades dos poderosos, senão será eliminado sumariamente. Emerson Petriv não teve tempo de mostrar a que veio. Logo que começou a bater de frente com o sistema, por mais questionáveis que fossem os meios, foi cassado. Os vereadores londrinenses não esperaram, sequer, um motivo mais concreto para justificar o processo de cassação, e se encostaram no mais frágil dos motivos.
Os brasileiros veem atônitos a democracia desabar. Corruptos de carreira se perpetuam no poder e caras novas na política são expulsos do sistema ou se entregam a ele. O voto perdeu seu valor e a vontade do povo não é mais levada em consideração, apenas a manutenção do poder para os poderosos. Esse cenário leva pessoas honestas a sentirem aversão à política e manterem distância, o que tira ainda mais a esperança de renovação. Caminhamos para um futuro incerto e perigoso. A democracia sustenta a ordem da nação e dá esperança ao povo. Se ela continuar sendo achincalhada, o povo cairá num abismo de desesperança e a ordem estará seriamente ameaçada.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A herança podre das leis trabalhistas.




Portas fechadas e placas de “aluga-se”. Esse é o cenário em grande parte do centro de Londrina. Ruas inteiras, onde outrora o comercio prosperou, estão cheias de marasmo e desesperança. O país enfrenta uma crise profunda causada por motivos globais, mas principalmente por problemas bem brasileiros como corrupção, desonestidade, ganância e muita burocracia. Muitos comércios londrinenses fecharam por consequência da crise, mas seria ela a única culpada?
O Brasil sempre foi um país onde a burocracia reinou e as leis trabalhistas foram unilaterais, entretanto, isso piorou drasticamente na última década, e as grandes vítimas desse pesadelo são os pequenos comerciantes. Pessoas que alimentam um sonho de empreender sofrem com seu despreparo e com a falta de bom senso do governo e da legislação trabalhista. Os grandes empresários sentem menos os reflexos da unilateralidade da lei, pois tem lastro para enrolar processos e possuem uma estrutura robusta para se defender. O pequeno comerciante não tem essa tranquilidade, nem essa malandragem.
Não são poucas as histórias de pessoas que investiram tudo o que tinham numa pequena empresa em busca liberdade e prosperidade. Em pouco tempo esses novos empresários estavam enfrentando a burocracia sistêmica do governo e recebendo cartas de reclamações trabalhistas, e ai começava o pesadelo! A lei, que será alterada, permite que o reclamante – ou seu advogado – insiram alegações falsas no processo, inexistindo punição na legislação trabalhista para tal comportamento, pois o reclamante é considerado hipossuficiente. Quando são juntadas as provas, o pequeno empresário não consegue se defender de todas as alegações, pois confia no que foi combinado e não possui estrutura administrativa para documentar todos os processos da empresa. Os juízes, abarrotados de processos trabalhistas, incentivam as partes a chegar num acordo e definir um valor para o empresário pagar. Esse cenário estimula os funcionários a entrar com reclamações mesmo quando sabem que em nada foram lesados e isso levou o número de processos à casa dos milhões, causando lentidão generalizada no sistema.
A nova lei, em especial os artigos que tratam da litigância de má fé, deve mudar esse quadro, pois promete punir quem apresentar inverdades na reclamação trabalhista, desencorajando o início de processos com alegações falsas e diminuindo o número total de reclamações. Esse cenário deve ajudar, inclusive, os reclamantes que de fato foram lesados pelos empregadores, pois fará com que a espera por audiências seja cada vez menor.  A esperança é que essa nova realidade traga esperança e otimismo aos pequenos empreendedores e novo fôlego ao tão abalado comércio londrinense, afinal, quem em sã consciência vai arriscar seu capital abrindo uma empresa para depois enfrentar uma das crises mais profundas da história, muita burocracia, e ainda ser acusado de desonesto?

sexta-feira, 28 de abril de 2017

As reformas são urgentes

O Brasil vive um momento ímpar na sua história. Em meio aos escândalos expostos pela operação Lava Jato, que deixam cada vez mais evidente o caos de corrupção que toma conta de todos os setores do governo, os políticos da situação trabalham para aprovar medidas duras que visam organizar as contas públicas e evitar que o país entre numa crise sem precedentes na nossa história, que pode ser inclusive, muito maior do que a crise que enfrentamos hoje. A primeira grande reforma foi a PEC 241, que visa frear o crescimento dos gastos públicos nos próximos 20 anos. Agora, tentam aprovar a reforma trabalhista e a reforma da previdência.
Essa preocupação exacerbada por parte de alguns políticos para fazer mudanças tão polêmicas, não é fruto apenas da sua boa vontade para com a nação, o que já eles já provaram não ser o seu forte. Fica cada vez mais evidente que a organização das contas públicas e as desburocratização nas relações trabalhistas são pontos cruciais no que tange o futuro do país e dos brasileiros.
A reforma trabalhista, apesar de ainda não ideal, visa fomentar o empreendedorismo e devolver a confiança ao empresariado, principalmente aos pequenos empresários, que há tempos se sentem temerosos em investir, desmotivados pelas incertezas econômicas, e principalmente pelas incoerências da justiça trabalhista. Da maneira que é hoje, as empresas não tem nenhum suporte ou garantias de que os processos trabalhistas serão julgados de maneira justa. As relações são postas de maneira que empresa e empregado se tornam adversários e nenhum dos dois lados tem liberdade para escolher as condições dos contratos, ficando tudo a cargo dos sindicatos, que são mantidos por descontos impostos na folha de pagamento dos empregados. A reforma visa dar liberdade para as partes negociarem e acabar com o imposto sindical obrigatório, deixando espaço assim, somente para os sindicatos que realmente trabalham em prol do trabalhador.
A Reforma da Previdência é ainda mais importante, pois cuida diretamente da economia. Basta um olhar simplório nas contas públicas para se perceber quer o país ruma para o caos. A Previdência Privada foi saqueada desde sua criação por todos os governos. O dinheiro foi utilizado para cobrir as despesas ou para criar infraestrutura, mas nunca foi devolvido. Foi ainda vítima de fraudes e descaso. Agora, com muito mais gente recebendo o benefício, em breve o governo não terá como pagar, e será obrigado a dar o calote nos aposentados, levando milhões de pessoas à miséria total. Mesmo com a reforma sendo aprovada, o colapso no futuro ainda é quase certo, mas caso seja reprovada, isso acontecerá já nos próximos anos, e os reflexos serão terríveis.
Esse cenário caótico que vivemos hoje poderia ser evitado muito antes, caso os políticos brasileiros se preocupassem em gerir o país com responsabilidade, e não apenas com sua permanência no poder. Infelizmente, a maioria deles não tem esse senso de ética e enterraram o país nesse buraco. Agora, são necessárias medidas urgentes e pontuais, que trarão consequências duras ao povo brasileiro. Já não se trata apenas de política, mas sim de economia, e ela não aceita desaforo.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Desastre com o time da Chape

Nesta terça-feira, o futebol acordou de luto. Um desastre envolvendo o avião que levava o time da Chapecoense vitimou a equipe quase por completo, além da comissão técnica, jornalistas e convidados. Trata-se da maior tragédia no esporte da América do Sul.
Além da irreparável perda de vidas, é preciso lembrar a grandiosa fase que vivia o futebol de Chapeco. O time, que tem uma trajetória muito parecida com a do Londrina FC dos últimos anos, conquistando acessos consecutivos desde a quarta divisão do futebol brasileiro até chegar à elite. O Tubarão ainda está trilhando esse caminho, mas a Chape já tinha chegado ao ponto mais alto, e ainda mais que isso, estava disputando a segunda competição mais importante das Américas, com reais chances de ser campeã. Seriam os dois jogos mais importantes da sua história e, além da cidade de Chapecó, o país todo estava acompanhando o time com um carinho que só o futebol pode explicar. Essa tragédia acaba com a euforia de todos os torcedores, e deixa o mundo do futebol perplexo com a fragilidade da vida, mas evidencia a compaixão das pessoas. Hoje, todos estão unidos num esforço para, se possível, diminuir as dores dos familiares dos jogadores e dos torcedores da Chapecoense. Quase todos os times do futebol brasileiros prestaram homenagens e se colocaram à disposição para ajudar no que for possível. Torcedores de todos os times esqueceram as suas bandeiras e estão sendo solícitos às vítimas. Até o adversário da final da Copa Sul-Americana, o Club Atlético Nacional já se manifestou fazendo um pedido para a Conmebol considerar a Chapecoense campeã do torneio. Afinal, essa competição já acabou depois dessa tragédia.
No passado, já aconteceram desastres similares ao ocorrido com o time da Chapecoense. Em 1949 o time do Torino da Itália sofreu um acidente de avião e todos os 30 ocupantes da aeronave morreram. O time liderava o campeonato daquele ano, e na ausência dos jogadores para disputar os últimos quatro jogos, mandaram a campo os juniores do clube. Os adversários se solidarizaram com a tragédia e também enviaram seus juniores a campo. O Torino sagrou-se campeão daquele ano. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 94, o time da Zâmbia teve o mesmo destino, e seu avião caiu vitimando os 18 jogadores da promissora equipe africana. Mais recentemente, em 2011, 44 pessoas morreram quando o avião que transportava a equipe de hóquei no gelo Lokomotiv Yaroslavi, caiu às margens do Rio Volga. São desastres terríveis e que deixaram marcas profundas aos fãs do esporte, mas que fizeram ficar evidente o que o ser-humano possui de melhor, que é a compaixão com o próximo num momento de dificuldade. Que a cidade de Chapecó e o time consigam passar cima dessa tragédia e que voltem em breve para o lugar que merecem: o topo do futebol brasileiro.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Escândalos sem fim

O território brasileiro é terra arrasada em meio à corrupção. Todos os dias surgem novos escândalos por meio das investigações da operação Lava Jato. Cada um deles, por si só, já seria uma notícia bombástica em qualquer época da nossa história, mas o fato de todos eles serem revelados em período tão curto de tempo causou uma espécie de paralisação emocional em toda a sociedade, e parece que nada será tão escandaloso ao ponto de nos surpreender novamente. A notícia mais recente trata do rombo descoberto pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no Financiamento Estudantil (FIES), um dos programas mais respeitados do governo do PT, e indica que mais de 20 Bilhões podem ter sido superfaturados entre 2009 e 2015. É “apenas” mais um caso que se soma aos tão famigerados escândalos da Petrobrás, na Prefeitura do Rio de Janeiro, das Pedaladas Fiscais, entre tantos outros.
Tudo isso ocorre em meio a uma das maiores crises financeiras que o país jamais enfrentou. Em decorrência disso, o Governo Federal trabalha fortemente para aprovar medidas de contenção de gastos e, segundo palavras do próprio presidente Michel Temer: “será necessário um sacrifício de toda a nação, e teremos que cortar na “própria carne” para fazer o país voltar a crescer.” Entretanto, parece que os políticos não fazem parte desse pacote de medidas. Os representantes da nação continuam firmes no seu modelo de corrupção. E na iminência das delações premiadas da Odebrecht serem acertadas, - o que pode colocar muitos políticos na mira do Juiz Sergio Moro, - eles parecem ter perdido de vez qualquer resquício de vergonha na cara que um dia tiveram.  Nos últimos dias, os deputados trabalham para tentar aprovar, na calada da noite, a proposta que tipifica o crime de caixa 2, mas anistia os crimes praticados anteriormente, ou seja, é claro o interesse dos deputados em criar um mecanismo para salvaguardar os possíveis citados nas delações premiadas que estão por vir.
Dessa maneira fica difícil o Governo Federal convencer a população a fazer os sacrifícios necessários para vencer a crise. Afinal, deve ser muito fácil ditar leis que vão por em risco o futuro de milhões de pessoas, enquanto eles, os políticos, estão sentados na beira de suas piscinas hollywoodianas e dentro de suas mansões milionárias, adquiridas com o dinheiro do povo. A sociedade pode até estar disposta a se sacrificar, mas não por políticos dessa laia. Em contrapartida, alguns setores da sociedade tem se posicionado firmemente para defender os interesses dos cidadãos. Vez ou outra as atitudes tem sido contraditórias, como greves e paralisações, e não são aprovadas por todos, mas é fato que estão lutando em prol do bem comum, afinal, todos estamos no mesmo barco, e parece que nessa guerra cada um usa as armas que tem em mãos.


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Uma breve análise sobre o público no Café

O LEC tem feito uma campanha maravilhosa na Série B e muito acima das expectativas iniciais para esse campeonato. No início na disputa, muitos comentaristas apontavam o Londrina como candidato a brigar contra a queda para a Série C, e os próprios dirigentes do time sempre defenderam que o principal objetivo deste ano era manter-se na Série B. Entretanto, passadas vinte e nove rodadas, o LEC se encontra no G4 do campeonato, e apresenta chances reais de conseguir o acesso à elite do futebol brasileiro. O time ainda tem condições de alcançar o Vasco já na próxima rodada, quando se enfrentam, e brigar por objetivos ainda maiores esse ano, como o título da Série B. Por outro lado, o público da cidade parece não acompanhar a euforia do time. Apenas os mais fiéis torcedores do Tubarão seguem indo com frequência ao estádio, e as médias de público são baixas. A própria torcida presente reclama da falta de apoio por parte da grande maioria dos torcedores da cidade, mas isso não tem sido o bastante para convencê-los a ir para o estádio.
O LEC apresenta uma média de público de 4.116 pagantes até o momento no Campeonato Brasileiro. Isso significa uma ocupação média de apenas 14% do estádio do café. Se comparado a grandes clubes da Série A, este não é um número vergonhoso. O Fluminense leva 6.962 torcedores pagantes aos seus jogos, e o Botafogo, 5.804. A questão é que o Londrina possui um grande estádio à sua disposição, e a torcida tem que se esforçar muito para fazer a diferença no Café. A Falange Azul tem dado conta disso, mas poderia contar com a ajuda de muito mais gente.
O problema de público no estádio não é somente do Londrina. A maioria dos clubes brasileiros enfrenta o mesmo dilema. Trata-se de uma questão cultural, uma vez que grande parte das famílias não tem o costume de frequentar os estádios, seja por temer a violência, pelo preço dos ingressos, ou simplesmente porque não enxergam no futebol, um programa atrativo para a família toda.
Mas como resolver esse problema? A diretoria do Londrina tem feito esforços consideráveis para atrair mais público para o estádio, e tem colhido resultados positivos. O programa sócio torcedor é um deles. Entretanto, parece que pouco tem sido feito para melhorar o espetáculo de maneira geral. Em muitos países, uma partida de futebol é um evento para se desfrutar o dia todo. O LEC pode copiar essa receita e utilizar o Estádio do Café como um grande trunfo, já que o local possui uma enorme estrutura externa para realizar eventos.
Em dias de jogos, a diretoria poderia organizar feiras e exposições no entorno do estádio. A cidade de Londrina possui dezenas de Food Trucks que se reúnem em diversos locais da região. O estádio do Café pode ser mais uma opção nos dias de jogos. Londrina ainda conta com uma variedade enorme de bandas. A diretoria poderia disponibilizar um pequeno palco para que as mesmas se apresentem antes das partidas. Além dessas atividades, poderiam ser oferecidas: Feiras de adoção de animais; apresentações teatrais e de artistas locais; feiras-livres de produtores da região; apresentação de carros antigos; rodas de capoeira; etc.
Nota-se que a grande maioria dessas atividades poderia ser realizada com um custo mínimo por parte da diretoria do LEC, ou através de parcerias, visto que a cidade é carente de espaços para esses eventos. Dessa maneira, o espetáculo, de maneira geral seria melhorado, criando um ambiente além do jogo de futebol, o que poderia atrair mais famílias para o local. Claro que nem todos iriam adentrar ao estádio, mas o simples fato de estarem presentes, criaria uma curiosidade para comprar ingressos e assistir o jogo. E uma vez dentro do Café, ouvindo os cânticos da Falange Azul, e saboreando as emoções que um a partida do LEC proporciona, com toda certeza eles voltariam mais vezes.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Greve dos Bancários

Estamos completando três semanas da greve geral dos bancários. As reivindicações são muitas por parte dos sindicatos e milhares de profissionais cruzaram os braços. Como consequência da paralisação, milhões de pessoas estão enfrentando dificuldades para gerir suas finanças ou sacar seus benefícios. E como sempre, quem mais sofre é a parcela mais pobre da sociedade. Não se sabe o quão longa será essa greve, e as pessoas terão que se virar até que as partes entrem em acordo.
Mas por que existem as greves? Os bancários realmente estão infelizes nos seus postos de trabalho, e estão ficando pobres a cada ano que não recebem reajustes de acordo com o que esperam? O trabalho é pesado demais ao ponto de criar uma instabilidade emocional ou física abusiva e desproporcional? Se esse não for o caso, a solução pode ser muito mais simples do que fazer greves e paralisar o país. Amigos bancários, peças demissão dos seus empregos e procurem algo mais justo e à altura das suas necessidades. Todo ano existe uma greve de proporções iguais a essa ou maiores, e o que fica cada vez mais evidente, é a falta de necessidade de tantos funcionários descontes. Hoje é possível fazer quase tudo sem ir a um banco. Pode-se abrir e fechar contas pela internet; a maioria das transações são feitas pelo celular; não existem mais filas gigantescas como há uma década atrás, pois as agencias estão dispostas às dezenas, uma a cada esquina, nos grandes centros. A população carente ainda não tem acesso a tudo isso, mas por pouco tempo, caso os senhores continuarem a fazer greves tão longas, eles vão se adaptar. Se não estão contentes, simplesmente mudem de vida.
A realidade é que os bancários continuam seguindo as ordens dos sindicatos, que por sua vez são povoados por dezenas de desocupados que apenas sabem fazer exigências aos empregadores, façam elas sentido, ou não. Se a população em geral está descontente com o sistema bancário, e enciumada com os altos lucros que ele embolsa todos os anos, ora, parem de depender dos bancos! Façam suas compras em dinheiro vivo e parem de usar cartões. Deixem de fazer empréstimos e pagar juros abusivos. Livrem-se do sistema. O que não pode acontecer, é a população ficar refém dos luxos dos sindicatos e à mercê do seu humor. Não é possível parar o país porque um setor de trabalhadores está infeliz com sua situação profissional.
Mudem de profissão, abram uma empresa, passem em um concurso. Mas não prejudiquem a população para fazer valer as suas vontades.

https://www.youtube.com/watch?v=7wyPQ0fGShE

Ajude e Blogueiro

Se você gostou, deixe seu comentário! Obrigado!