terça-feira, 27 de agosto de 2013

Quando a vergonha bate.

Neste domingo jogaram Vasco e Corinthians no estádio Mané Garrincha, localizado na cidade de Brasília. A tarde tinha tudo para ser um espetáculo. O Campeão do Mundo, com grande elenco, contra outro grande time, um dos maiores do Brasil. O palco, batizado com o nome de um dos grandes mestres do futebol brasileiro. Duas grandes torcidas apaixonadas e vibrantes. Entretanto o que se viu, foi de fazer vergonha a qualquer apaixonado pelo futebol, que carregue um mínimo de caráter consigo.
Não sem motivos, o estádio leva o nome de Garrincha. Somente ele, com suas pernas tortas e técnica apuradíssima poderia apresentar um futebol de qualidade naquele pasto que insistem chamar de gramado. Um dos estádios que custou mais caro aos cofres do governo – aproximadamente 1,7 bilhão de reais – apresenta um tapete vergonhoso, que conta mais com areia do que com grama. Garrincha, que foi um ícone do futebol mundial devido à sua maestria com a bola nos pés, deve estar se remexendo no túmulo quando seu nome é utilizado num palco tão vergonhoso, e reflexo claro da corrupção e desrespeito com a população.
A vergonha se seguiu com o futebol apresentado pelo Corinthians. Time com a maior torcida do país, a qual carrega lemas como lealdade, humildade e procedimento. Time que ostenta uma folha salarial próxima os R$ 90 milhões anuais. Time que conta com uma das melhores estruturas para treinamento da América Latina. Time que jogou com preguiça e sem vibração. Ao invés de famosa raça, o que se viu foi um elenco com medo de sujar o próprio uniforme. Em quase nenhuma partida desse ano, o alvinegro mostrou o futebol apresentado na Libertadores e Mundial do ano passado, quando conquistou o mundo.
Não bastasse essa combinação de tragédias, alguns “torcedores” não poderiam deixar de fazer sua parte. Uma briga generalizada tomou conta das arquibancadas no decorrer da partida. Torcedores, segundo a mídia, de duas torcidas organizadas entraram em conflito manchando ainda mais o domingo futebolístico. Nesta terça-feira, foi noticiado que um dos envolvidos na briga era Leandro Silva de Oliveira, um dos doze corintianos que ficaram presos em Oruro, após a tragédia envolvendo a morte do menino Kevin. Para esse rapaz, se for confirmada sua participação, cinco meses de uma prisão tida como injusta, não foram suficientes para afastá-lo da briga na arquibancada Até quando vândalos que vão aos estádios apenas para praticar violência vão ser aceitos dentro dos mesmos? Até quando a polícia vai ter que montar verdadeiras estratégias de guerra para conter marginais à porta dos estádios?
Ainda sou a favor das torcidas organizadas. Mas desde que elas sejam de fato organizadas. Que confeccionem bandeirões, entoem cantos, empurrem o time. Que contribuam com o espetáculo. Tenho certeza que a cúpula das torcidas e grande parte dos torcedores não concordam com as atitudes de alguns membros. Todavia, não basta mais apenas discordar. Que sejam todos os membros cadastrados e que tenham todos seus dados minuciosamente declarados e cedidos à justiça, e quando se envolverem em qualquer tipo de confusão, dentro ou fora dos estádios, que sejam banidos para sempre. Não é aceitável que o país do futebol, sede da próxima Copa do Mundo, fique à mercê dessa estirpe. Seriedade dos organizadores e punições pesadas aos vândalos. Famílias querem freqüentar as arquibancadas, e não podem mais ter esse direito tomado por marginais que se dizem organizados.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Corta-lhes o saco.

A corrupção é o entrave maior para o desenvolvimento de qualquer país. No Brasil, além da mão grande correr solta nos bastidores da política, reina uma impunidade crônica para com os corruptos, o que faz com que se esbaldem com grande tranqüilidade no orçamento público. Este círculo vicioso deu ao Brasil a fama de contar com os políticos mais caras-de-pau de todo o globo. Aqui a corrupção se tornou moeda obrigatória na hora de negociar a votação de projetos importantes. E o povo, como sempre, nem entra em pauta.
São décadas de agravamento desse quadro fétido e promíscuo. E para tal roubalheira ter um fim, somente atitudes enérgicas e punições exemplares serviriam como gatilho para uma melhoria. A corrupção é um crime tão hediondo, baixo e nojento, que fica difícil pensar numa punição à altura para tal delito. Pode parecer, num olhar mais inocente, que o único crime de um corrupto é se apossar daquilo que não lhe é devido. Mas não. Quando um corrupto desvia dinheiro da saúde, ele é responsável direto por centenas de mortes recorrentes das más condições de trabalho nos hospitais. Quando um corrupto desvia dinheiro da educação, ele é agente bloqueador do ensino das crianças, que com este direito afanado, não terão condições de evoluírem socialmente, e vez ou outra cairão na marginalidade para obter o pão de cada dia.
Para um breve início, qualquer punição já bastaria para os corruptos, visto que hoje, nenhuma de fato existe. Mas não adianta fazer o canalha pagar com serviços comunitários. Não adianta prende-lo em regime domiciliar. Não adianta lhe arrancar algum dinheiro, pois ele tem muito. Não adianta nem a assustadora pena de morte, como existe em alguns países, pois todas as pessoas vão um dia morrer, e esses crápulas não merecem algo que seja comum a todos. A um corrupto, ao menos aos corruptos homens, deveria ser-lhe cortado o saco! Arrancando-lhe as bolas, qualquer resquício de dignidade que nele ainda exista seria retirado. E é isso que esses usurpadores da dignidade social merecem. Ser jogados ao chão e obrigados a lamentar todos os dias da sua infeliz vida, ter um dia metido a mão no dinheiro público.
Com uma punição dessas ou ao menos similar, tenho certeza que os níveis de corrupção cairiam rapidamente no Brasil. Quem em sã consciência vai arriscar as bolas por alguns milhões? De que adianta o bolso cheio de grana se tudo o que lhe resta entre as pernas é um vazio imoral? Eis a solução para os corruptos no Brasil! Se quiserem acabar com eles, corta-lhes o saco! Em breve pensarei em punição similar para as corruPTas...

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O beijo do Sheik

Tem cara que gosta mesmo de uma boa polêmica. Emerson Sheik com toda certeza é um deles. Após a vitória sobre o Coritiba neste domingo, o atacante postou uma foto dando um selinho no amigo Isaac Azar. Pronto, estava feito o burburinho. Em poucas horas os comentários nas redes sociais já estavam na casa dos milhares. Muita gente apoiando a atitude do jogador e muita gente querendo a cabeça do autor dos dois gols mais importantes da história corintiana. O episódio foi ainda um prato cheio para os torcedores rivais gozarem a felicidade de ver um dos jogadores que mais representa o alvinegro paulista atualmente, beijando um homem. Polêmica pouca é bobagem.
Mas o que quis Emerson com tal atitude? Sheik é o típico fanfarrão. Não tem medo de dizer o que pensa, mas pensa muito antes de abrir a boca ou tirar uma foto com essas conotações. Pode até parecer que é por impulso, mas Sheik é muito mais estrategista do que aparenta ser. Ele gosta de jogar lenha na fogueira e ver a oposição ardendo no fogo que ele provocou. Sheik é reconhecidamente um dos jogadores que mais pega mulheres no mundo do futebol. Sempre está tirando fotos, acompanhado de modelos lindas e maravilhosas nas festas mais badaladas de SP. Mas por algum motivo ele resolveu provocar uma discussão sobre o homossexualismo, e dentro da sua segurança pessoal, psicológica e de caráter, deu um selinho no amigo e disse “falem o que quiser, seus babacas”
O resultado do beijo do Sheik foi, no mínimo, engraçado, mas requer uma boa atenção. Hoje pela manhã integrantes de uma das organizadas foram ao CT do Corinthians para requisitar um pedido de desculpas públicas do jogador. Só não se sabe a quem ele deve pedir desculpas e por qual motivo. Pois nada fez contra alguém e nem feriu/agrediu qualquer pessoa. Só se for aos machões tatuados que escondem suas indecisões e desilusões sexuais atrás de muita cara feia e voz grossa. São esses mesmos que adoram bater em torcedores de outros clubes quando estão acompanhados de outra centena às suas costas. São esses mesmos que batem em mulheres e crianças. São esses mesmos os maiores covardes quando sozinhos ou frente alguém do seu tamanho.  Ora, os machões ficaram incomodados com a atitude de Sheik e logo esqueceram tudo o que ele fez pelo clube. Ainda bem que eram poucos torcedores, cinco segundo o portal G1, o que mostra que a grande maioria já deixou no passado esta burrice que é o preconceito e a homofobia. Ou que realmente entenderam a imagem que o Sheik quis passar.
Emerson Sheik. Sou Corintiano. Diretor de uma das torcidas – Clube dos Corintianos de Londrina – que se organiza e se esforça para honrar o nome do Corinthians, e participante de eventos de outras torcidas que fazem o mesmo. E sei que você não é gay, ou ao menos não era até ontem. Pois caso tenha adentrado ao caminho da ralação barba com barba, eu não te respeitarei menos por isso. O que fizeste para o Corinthians está feito e será para sempre lembrado. Caso queira desfilar de tanguinha no carnaval do ano que vem, o faça de bom grado! As pessoas são o que fazem para si e para os outros, e você só fez coisas boas para o meu time e para minha torcida. O que faz na sua vida extra campo só diz respeito a você, meu caro. Um grande abraço e VAI CORINTHIANS!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Mensalão

Nesta semana os recursos das condenações de um dos maiores escândalos políticos do Brasil começaram a ser julgados. Trata-se do famigerado episódio conhecido como “Escândalo do Mensalão”. Tal nome – Mensalão - foi inspirado nas mensalidades direcionadas a cada participante de uma inescrupulosa rede de corrupção. O nome “escândalo” nasceu da ignorância do brasileiro e da cara-de-pau dos corruptos. Segundo o dicionário, a palavra “escândalo” se refere a algo indecoroso e fora dos bons costumes. Entretanto, se existe uma coisa que não é ausente aos bons costumes dos políticos brasileiros, são as pomposas mensalidades. A corrupção está arraigada no DNA da política brasileira desde sempre. Este país funciona à base da mensalidade e do agrado. Os poucos políticos que tentam vencer esta barreira acabam vencidos pela maioria corrompida e, logo, corrompedora. O Mensalão foi apenas a ponta do iceberg, onde todos se fingiram estar embasbacados com tanta sujeira explicita.
Os porquês de tanta corrupção são muitos, mas um deles com toda a certeza é a impunidade. Em pouco mais de dois anos completar-se-ão dez anos do estopim do escândalo. Até hoje nenhum investigado foi punido, e muitos deles continuam com seus cargos públicos ativos e sabe-se lá com quantas mensalidades caindo nos seus bolsos. Assim fica muito fácil ser político corrupto. O sistema, mais uma vez, privilegia o criminoso e pune a população.
Ninguém mais, em sã consciência, acredita que tanto burburinho vai dar em alguma coisa. O escândalo do Mensalão se foi e novos escândalos surgiram. Nenhum deles acarretou em punições a políticos. A única coisa que fez algum político ficar de cabelos em pé nesse meio tempo, foi a recente manifestação da população contra a falta de respeito que vem sofrendo desde sempre. Esta sim motivou ações rápidas e pontuais. Mas as manifestações se foram, e a calmaria promete se prolongar algum tempo. A esperança que fica é que esse tempo seja curto, e que, na próxima manifestação o povo não grite que acordou, mas sim que não voltará a dormir jamais.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Mais respeito

Recentemente o governo brasileiro criou um programa para importar para médicos do exterior. Calei-me sobre o assunto, pois a complexidade do mesmo foge aos olhos de uma opinião sem profundo conhecimento das dificuldades do sistema de saúde brasileiro. O território nacional é muito extenso e as localidades mais afastadas sofrem com a rejeição dos profissionais da área. Os motivos são diversos: falta de estrutura, distancia da família, dificuldade de locomoção, clima. Sendo assim, os moradores de tais regiões acabam sofrendo com a falta de assistência, e para sanar tal deficiência, o governo foi pontual e importou a mão-de-obra. Desde ponto de vista, a medida foi acertada. E somente deste ponto de vista. Mais uma vez os políticos brasileiros tomam medidas para tirar os seus da reta e criam leis para camuflar sua incompetência histórica na gestão do país. Não faltam profissionais brasileiros na área da saúde. O que falta é dar a esses profissionais as condições mínimas para exercer a sua profissão. Não adianta oferecer salários exorbitantes e deixa-los à mercê da sorte na hora de uma cirurgia importante, sem as ferramentas necessárias. Até mesmo nos grandes centros as condições são alarmantes. Os investimentos demoram a sair, e quando saem, desaparecem nas mãos dos burocratas e corruptos. Para a população, pouco chega.
Não bastasse essa lambança que o governo Dilma aprontou, a coisa promete piorar. Hoje alguns portais noticiaram a intenção da presidenta de importar engenheiros para destravar o andamento das obras públicas. Segundo o governo, faltam especialistas nas prefeituras dispostos a elaborar projetos para o básico e executivo, fundamentais para que as cidades possam receber recursos da União. Era a cereja do bolo, ou a sentada na merda que faltava para completar o estrago. No lugar de o governo investir na sua população, no ensino e na formação de profissionais, ele prefere busca-los no exterior. Qualquer pessoa que já estudou numa escola pública sabe das dificuldades que enfrenta. Minto! Na verdade não enfrenta “dificuldade” alguma, pois lá quase nada se aprende. Lembro-me bem de algumas aulas de Geografia onde o exercício do dia era pintar mapas. No Primário? Não, em pleno terceiro ano do ensino médio. Um aluno de escola pública que anseia entrar numa faculdade de medicina ou engenharia tem que, literalmente, aprender todo o conteúdo depois que se forma na escola. Assim realmente fica complicado formar médicos ou engenheiros. Tive a sorte de estudar em escolas públicas com boas estruturas e bem localizadas. Assim fico pensando: se eu pintava mapas no Terceirão, o que os alunos das escolas do Acre fazem? Aviões de papel?
O Brasil possui 201 escolas médicas em atividade. Deve possuir número parecido de escolas de engenharia. O Brasil tem uma população que já ultrapassa os 220 milhões. O Brasil bate recordes de arrecadação de impostos ano pós ano. E ainda assim o Brasil não consegue formar mão-de-obra. Onde vão trabalhar os 13 mil médicos que se formam todos os anos? Essa é uma conta que não fecha. O governo adora fazer propaganda para mostrar a evolução do país. Segundo ele e a TV Globo, aqui a crise mundial não chegou. O Governo adora dar Bolsa Vagabundo e Desempregado. Mas para o pai de família trabalhador, só sobra chumbo e impostos. Pergunte a uma mãe, que está nesse momento sentada com o filho no colo esperando o atendimento a horas e horas no postinho de saúde sobre o que ela pensa do desenvolvimento do país. Aqui tem Dinheiro, tem Copa do Mundo, tem Olimpíadas, tem ajuda para “países amigos”. O que falta mesmo é um pouco de respeito para com a população.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Faltou cinta

Nesta segunda-feira uma família foi brutalmente assassinada na cidade de São Paulo. Avó, Tia, Mãe e Pai foram baleados, e o principal suspeito é o filho do casal, que segundo investigação da policia, cometeu suicídio após os crimes. A barbárie, se confirmada essa versão da polícia, é gigantesca. Uma criança de 13 anos, que ainda deveria estar começando a descobrir as malícias da vida, é apontada como suspeita da chacina dos próprios parentes. Só a hipótese de a história se confirmar, o que deve acontecer visto que não existem outros suspeitos, já deve servir para a sociedade refletir sobre o nível de cidadãos que estamos criando para ser o futuro da nação.
As crianças passaram a ser protegidas por uma legislação que dá a elas todos os tipos de direitos, e quase nenhum dever. Bem acomodadas do alto dos artigos do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente – os aprendizes de vagabundos se tornaram verdadeiros Sheiks dentro das suas casas. Os pais, por sua vez, são reféns dos pestinhas e ficam de mãos atadas, sendo algumas vezes, até ameaçados, agredidos, e agora assassinados pelos novos marmanjos. É um grande absurdo um cidadão de 14 anos não poder trabalhar e ajudar seus pais na renda de casa. Um jovem dessa idade tem força, disposição e saúde para trabalhar meio período e estudar no outro. Se assim fosse, ao invés de ficar na rua aprendendo tudo o que não presta, poderia ser iniciado em alguma profissão. E além do ofício, estaria aprendendo noções de respeito, honra e dignidade que há muito foram esquecidas por boa parte da sociedade.
Algumas das pessoas de melhor caráter que conheço começaram a trabalhar ou ajudar seus pais por volta dos doze anos de idade. Isso não os transformou em incapazes nem tirou deles a saúde, muito pelo contrário, ensinou a eles a dar valor ao pão que dispõem na mesa na hora das refeições. Essas mesmas pessoas contam com orgulho algumas histórias de vezes em que passaram dos limites nas artes que costumavam aprontar, ao ponto de seus pais entenderam que palavras não seriam suficientes para aprenderem a lição. A cinta usada pelo pai durante o dia do trabalho costuma ser a grande vilã desses contos. Hoje em dia, tal punição é praticamente inconcebível. Os psicólogos afirmam que os pais não podem castigar seus filhos com “violência”, os políticos compraram a ideia e fizeram leis para punir. Mas esqueceram que a grande maioria das famílias não tem acesso à cultura necessária para educar somente na base da paz e amor. Não conheço um programa do governo para ensinar essa outra maneira tão mágica, e os pais, coitados, não podendo corrigir seus filhos ao seu jeito, simplesmente deixaram de fazê-lo de jeito algum. O resultado é uma juventude que simplesmente não sabe o que é punição. Não entende o valor das coisas e acredita piamente que o mundo é uma paraíso da tecnologia e do conforto. Quando esses jovens chegam ao mercado de trabalho e à vida de verdade, ficam perdidos e se tornam adultos incompetentes, estressados e infelizes.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Big Mac X ingressos X renda


Há alguns dias a revista The Economist divulgou o Big Mac Index referente ao mês de julho, o segundo desse ano. Basicamente, esse índice usa a teoria do poder paritário de compra para, baseado num produto de apelo e consumo popular e amplo, disseminado e semelhante em todo o mundo, aferir o status de uma moeda em relação a outras e, por extensão, dar uma ideia do custo de vida em uma nação. O sanduíche Big Mac, da rede McDonalds, é o produto escolhido, como é fácil perceber pelo nome.
Esse comparativo deixa bem clara a imagem de como o brasileiro paga caro para consumir produtos iguais ou de menor qualidade - caso do futebol - que em diversos países do globo. A ordem de entrada no ranking é muito simples. Quanto mais entradas para um jogo de futebol o torcedor puder comprar com sua renda anual, melhor será a colocação do país. Neste quesito, começamos levando uma surra do Japão, onde os nipônicos podem comprar 2.046 ingressos para ver seu time do coração com a renda per capta de um ano, e o brasileiro apenas 645. Esta disparidade pode ser explicada pela importância dada ao esporte nos dois países, sendo que no Brasil o futebol é muito mais valorizado, portando alguma diferença é compreensível. Entretanto, percebe-se que o público médio em jogos da JLeague é quase 50% maior que o do campeonato brasileiro, então, algo está errado. Se olharmos o preço do famigerado lanchinho da famosa rede de fast food, produto equivalente nos dois países, os japoneses gastam pouco mais da metade que os brasileiros para saciar a fome. Outros comparativos interessantes podem ser feitos, principalmente com países onde o futebol é levado tão a serio quanto no Brasil. Por exemplo, na Inglaterra, país que inventou o futebol, e onde o espetáculo como um todo é muito melhor, cada cidadão pode comprar 911 ingressos com sua renda de um ano, e com o dinheiro de cada ingresso pode comprar 10,5 BigMacs. No Brasil, com o dinheiro de um ingresso é possível comprar apenas 3,6 lanches.
Essas conclusões derrubam um velho tabu que muitos brasileiros acreditam ser verdadeiro. Dizem que no exterior as pessoas ganham mais, mas o custo de vida é proporcionalmente maior. Uma grande mentira. No Brasil, além de os encargos serem altíssimos e os serviços prestados pelo governo serem de péssima qualidade, o custo de vida é consideravelmente maior que nos países desenvolvidos, se comparada a renda X custo. A mídia gosta de pregar que a Europa está em crise e que o Brasil está em pleno crescimento econômico, mas enquanto as condições de vida e consumo não forem equivalentes, o brasileiro vai continuar comendo sardinha e pagando por caviar.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Bem vindo Frio

O frio é algo que incomoda. Decididamente não gosto do inverno. É ruim pra sair da cama, pra tomar banho, pra ir trabalhar e até pra tomar cerveja.  Em Londrina, onde faz frio de verdade apenas algumas semanas do ano, as pessoas não estão habituadas, e por isso sofrem de forma maximizada os seus efeitos. Mas analisando num contexto global e histórico, o clima frio é uma das vertentes que tem maior mérito no que se trata da evolução do homem.
Tripartindo o globo terrestre, constata-se que os países mais desenvolvidos estão próximos aos hemisférios norte e sul, onde naturalmente faz mais frio. Os países localizados na chamada zona tropical, são na sua maioria subdesenvolvidos e foram, em alguma época da história, dominados pelos países que avançaram primeiro na corrida pelo desenvolvimento. Este atraso evolucional pode ser explicado pelo acomodamento que o calor proporciona aos habitantes de determinada região. Onde o clima é agradável sobram recursos naturais. Água aos montes, refeições fartas e ausência de roupas são características, uma vez que andar semi-peladão foi algo natural em diversas civilizações, e ainda é em algumas. Os homens seguem naturalmente seu instinto, e uma vez que todas as suas necessidades básicas estão saciadas, existem poucos motivos para ele buscar maneiras diferentes de existir. Prova de tal constatação existe aqui no nosso quintal. Os índios, primeiros habitantes do confortável Brasil, não evoluíram praticamente nada desde que Cabral aportou suas fragatas no litoral, e muito menos antes disso. Mas esse é um assunto para outro dia.
Por outro lado, onde faz frio durante grande parte do ano, as coisas são muito diferentes. Para uma civilização sobreviver em uma região onde o clima é inóspito, ela precisa se adaptar. E qualquer adaptação é sinônimo de evolução. Se os recursos naturais não são fartos durante o ano todo, essa civilização tem que criar maneiras de armazená-los e racionalizá-los para durarem o ano todo, ou sua existência estará seriamente ameaçada. E foi por meio dessas diversas adaptações que o homem descobriu a roda, as ferramentas, e evoluiu gradativamente até os dias de hoje. Sendo assim, esse vilão que nos atormenta todos os anos sem descanso, merece ser reconhecido pela sua contribuição histórica para a evolução do homem.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Passe livre não existe.

Após uma primeira vitória oriunda dos recentes protestos por todo o território nacional, onde grande parte das cidades que haviam reajustado o preço dos transportes públicos voltou aos preços antigos, agora começa um movimento defendendo a tarifa zero para tais serviços. Na verdade esse movimento existe há muito tempo e foi o idealizador dos protestos atuais. Mas vamos por partes. Reclamar por transportes públicos decentes e a preços justos é uma coisa. Mas pedir para o serviço ser gratuito é totalmente diferente. Não existe como o serviço ser gratuito visto que existe um custo automático para mantê-lo. Passe livre não existe. Por mais que ninguém pague pela passagem, os valores para cobrir tais custos teriam de vir de outra fonte de recursos.
Essa é a mesma conta quando se oferece passes livres para estudantes, deficientes ou idosos. Por mais que seja justo, ou ético, algumas pessoas não pagarem pelo transporte, outras pessoas vão ter que pagar. E nesse caso, pagar mais caro, pois estão bancando além da sua passagem, a dos que estão utilizando o serviço gratuitamente. Pode-se argumentar que quem deve pagar a conta então é o governo. Mas para isso ele também vai ter que tirar o dinheiro de algum orçamento, e aí a situação fica mais injusta, porque todo cidadão vai pagar, mesmo que ele não utilize o transporte.
A luta pelo preço justo dos transportes precisa ser embasada em números e um bom grau de bom senso. Não é muito difícil calcular qual o preço ideal para as tarifas. É sabida a quantidade de serviços de transporte que uma cidade precisa para suprir sua demanda. É fácil calcular também quanto esse serviço custa. Basta juntar esses dados, mais o orçamento para manutenção, investimento e lucros (justos) da empresa contratada, que chegaremos a um “x” a ser pago por cada usuário. E esse valor tem que ser pago, ponto final. Caso contrário o transporte deixa de existir.
Protestar por justiça, respeito, e por direitos garantidos pela constituição é nobre, e faz com que a causa ganhe muitos adeptos. Mas utilizar essa premissa para requerer benefícios que não fazem sentido, visto de um âmbito social e econômico, tira a legitimidade de qualquer manifesto popular, e faz com que aqueles que são contra as manifestações ganhem argumentos para continuar reprimindo os manifestantes.

terça-feira, 18 de junho de 2013

O inevitável confronto.

Mais de duzentas mil pessoas saíram às ruas no País todos para apoiar as reivindicações da semana passada. Mais uma vez afirmo, tais reivindicações nada tem a ver somente com o reajuste no passe de ônibus. Essa premissa foi somente o estopim que faltava para incendiar a fúria de um povo que vem sendo humilhado por seu governo há décadas. Ninguém mais suporta os escândalos políticos e a recorrente impunidade. Mensaleiros, obras superfaturadas, desvios de dinheiro, falta de escolas e hospitais, estradas sucateadas e pedagiadas. Apenas um desses motivos bastaria para o povo ir às ruas em qualquer país desenvolvido, mas os brasileiros, sempre com a realidade mascarada pela grande mídia, resolveram esperar o acúmulo de motivos.
Grande parte das passeatas se passou em tons de paz e harmonia. Entretanto, como não poderia deixar de ser, em alguns momentos, principalmente nos grandes centros, o controle escapou da mão dos organizadores. Uma parte ínfima, porém nunca desconsiderável dos participantes, achou que deveria partir para o confronto com os policiais que faziam o patrulhamento, o e caos se instaurou. Parte dessa revolta foi motivada pelos próprios policiais, que na semana passada responderam com violência aos protestos pacíficos, e tal truculência não foi esquecida. Mas o grande culpado ainda é o governo e os políticos, que fizeram um esforço dantesco para despertar a fúria de uma população que, camuflada na sua inocência, só quer saber de paz e festa. Mas ele esquece que é exatamente esse povo, que engole seco os absurdos enfrentados diariamente, mas quando acordado, se torna o poder mais forte e por vezes impossível de se enfrentar.
Foi o mais forte clamor popular desde os caras pintadas em 1992, que teve como resultado o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Desta vez o motivo da revolta popular ainda não está bem claro, e os reflexos talvez não sejam visíveis num curto prazo. O conjunto de motivos é mais fácil de compreender – descaso do governo, escândalos políticos e gastos com a Copa – e assim, o povo decidiu que era hora de se manifestar. Resta agora esperar os próximos dias para saber se novas manifestações vão ocorrer e se serão ainda maiores. Mas algo importantíssimo já aconteceu. Pela primeira vez os eleitores mais jovens tiveram o prazer de se sentir verdadeiros cidadãos, participando de uma luta por aquilo que lhes é devido, seus direitos mais básicos e respeito por parte dos governantes.

Ajude e Blogueiro

Se você gostou, deixe seu comentário! Obrigado!