sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Operações contra ambulantes

 


 

A matéria de capa da Folha de Londrina desta quinta-feira, 18, cobriu a operação realizada pela CMTU para combater o comércio de produtos irregulares no calçadão de Londrina. Foram apreendidos desde cigarros, bijuterias, eletrônicos, até panos de prato, além de aplicação de multas de até R$ 1,2 mil. Operações similares à essa estão se tornando cada vez mais comuns no país, principalmente em grandes metrópoles como o Rio de Janeiro e São Paulo. São muitos os vídeos disponíveis nas redes sociais que mostram fiscais apreendendo produtos de ambulantes, que ficam revoltados e causam também a indignação da população em geral. O entendimento popular é de que falta humanidade a esses fiscais na hora de apreender produtos de pessoas que estão lutando para sobreviver e vencer a crise.

Uma questão importante nesse tema é de que os fiscais não tem nenhuma culpa nesse tipo de situação. Eles são funcionários como qualquer outro, e estão cumprindo ordens de superiores, que por sua vez, estão seguindo o que está previsto na legislação. Os verdadeiros culpados são os vereadores e deputados, que são quem fazem as leis do país. Apenas eles têm o poder, dado pelo povo, de legislar e tomar ações para mudar esse quadro. Não adianta a população reclamar e se sentir injustiçada e depois voltar a eleger os mesmos parlamentares. A cada dois anos o cidadão tem a ferramenta do voto para transmitir sua indignação, mas ao reeleger políticos que fazem essas leis ou as aprovam, estão dando um atestado de anuência a eles, o que é claramente contraditório nesse caso.

O Brasil sofre de uma pandemia de representantes públicos incompetentes. Isso se dá exatamente porque a população não demanda a devida atenção na escolha dos políticos. Esse ano teremos eleições mais uma vez, e certamente veremos eleitores votando em candidatos sem o preparo básico para exercer uma função pública. As características dos vereadores eleitos são das mais bizarras: popularidade, capacidade em criar conflitos, herança política e sobrenome famoso, entre outras “qualidades” muito duvidosas. Poucos se atentam ao histórico dos candidatos, à sua honestidade, ética, moral e, principalmente, conhecimento técnico e legal da administração pública. As propostas são das mais estapafúrdias e irracionais, nunca refletindo em posteriores cobranças aos eleitos. São esses políticos que farão leis abusivas e que levam ao cerceamento da liberdade da população. E esse é um ciclo sem fim. Quanto antes a população se atentar ao que está fazendo no momento de votar, poderemos ver o fim das situações dramáticas como essas operações de fiscalização.

Sobre a moralidade de vender produtos nas ruas, sem pagar impostos e sem arcar com uma série de outros custos como os demais comerciantes regularizados, há muito o que se debater. Mas o caminho correto para a prosperidade é sempre o livre mercado e o que deveríamos estar discutindo é como tirar o peso de impostos e regulações das empresas, visando o aquecimento econômico da cidade. O centro de Londrina já vem há muito tempo sofrendo com o enfraquecimento do comercio, e legislações duras e a falta de variedade de produtos e serviços só tendem a piorar essa situação.


quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Marcelo e suas obras de estimação.

 

Cachorro, gato, papagaio, periquito, cobra, macaco. O homem é o único ser que tem por hábito criar e cuidar de animais de estimação. Nenhum outro ser vivo adquiriu esse costume peculiar. Isso gera uma sensação de responsabilidade e alimenta o ego humano, que gosta desse senso de responsabilidade, de ver crescer uma outra vida, acompanhando o deflorar da criação. Mas em Londrina temos um caso muito curioso, que é o do nosso Prefeito Marcelo Belinati: ele gosta de cuidar de obras! Gosta tanto, que não tem pressa nenhuma em terminá-las. É como se o término de uma obra fosse como uma despedida do seu ente querido. Um doloroso fim depois de tanto esforço no desenvolvimento e na formação. Então, por que ter pressa?

Seria romântico, se não fosse trágico. A obra queridinha do nosso prefeito atualmente é a trincheira da avenida Leste Oeste. Estamos às vésperas de completar três anos de transtornos, atrasos e aditivos. Curiosamente essa criação começou logo que o prefeito foi reeleito, ainda no início de 2021. Com previsão para terminar no início desse ano, essa semana foi solicitado um novo prazo de entrega, Abril de 2024, e o custo inicial que seria de R$ 25 milhões já ultrapassa os R$ 35 milhões. Caso parecido ocorreu na primeira gestão do prefeito, com o viaduto da Dez de Dezembro, obra que havia sido planejada e orçada pelo antecessor, Alexandre Kireeff, restando apenas a execução, mas que ainda assim sofreu com atraso de quase um ano para a entrega.

A prefeitura de Londrina adotou até mesmo uma placa, já muito conhecida pelos munícipes. Está estampado: “Prefeitura cuidando da cidade”, e tem réplicas espalhadas por todos os lugares. O objetivo é mostrar como essa gestão trabalha e se esforça na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Eles apenas esquecem que obras atrasadas causam um transtorno terrível para o comércio, trânsito e cidadãos. É claro que obras são necessárias para o desenvolvimento da cidade, mas precisam ser executadas com responsabilidade e compromisso com os prazos e orçamento. Infelizmente, essa gestão gosta tanto delas que o planejamento é apenas um mero detalhe. Afinal, com um olhar desatento, muitos podem ter a sensação de que a prefeitura está trabalhando muito para a melhoria da infraestrutura da cidade. Obras, canteiros floridos, máquinas estacionadas, buracos sendo escavados. Pode ser tudo que um prefeito deseja para amaciar seu ego, legitimar os votos recebidos e, quem sabe, eleger um sucessor.

Em meados de 2024 veremos, enfim, a entrega da obra da trincheira da Leste Oeste, curiosamente e convenientemente perto do período eleitoral, é claro. Certamente teremos uma pomposa cerimônia de entrega e eleitores com a memória similar à de uma abelha muito felizes, dizendo: - “demorou, mas ficou muito bom”. Poucos vão se lembrar dos quase quatro anos de atrasos e transtornos. Ninguém vai se lembrar dos comerciantes locais que tiveram prejuízos recorrentes, com muitos deles sendo obrigados a fechar suas lojas e arcar com o prejuízo. Pouco se falará sobre a falta de compromisso com os prazos e com os aditivos milionários que envolveram todo o projeto. Veremos um prefeito Marcelo muito feliz com sua criação, talvez falando dos desafios que teve que enfrentar, mas como valeu a pena. E todos vamos trafegar felizes por cima e por baixo da nova obra de estimação da cidade.


quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Usuários de drogas terão direito à licença médica.


Nesta quarta-feira, 29, o Ministério da Saúde incluiu 165 novas patologias na lista de doenças relacionadas ao trabalho. Entre as doenças presentes na nova lista está, por exemplo, o burnout, depressão e abuso de drogas. Essa atualização torna o empreendedorismo um desafio ainda mais complicado e burocrático, provavelmente resultando na redução da abertura de novas empresas, no fechamento de outras, na diminuição de vagas de trabalho e um futuro nebuloso para o crescimento do país.

Falar contra a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) tornou-se praticamente uma afronta e quase um delito. No entanto, é urgente que nossos legisladores abordem esse tema com discernimento e seriedade. Compreende-se que o propósito da CLT seja proporcionar segurança ao trabalhador, mas toda ação gera uma reação, que, neste caso, se traduz em custo. O Brasil já possui diversos entraves para a criação e manutenção de empresas, como por exemplo: 1) Um dos sistemas tributários mais complexos do mundo; 2) Taxas e impostos extremamente altos; 3) Uma das infraestruturas mais precárias entre os países emergentes. Somam-se a esses fatores, uma legislação trabalhista altamente protetora dos "direitos" dos empregados e que infla a carga de custos das empresas. Sendo assim, não é surpreendente que o Brasil forme cada vez menos empreendedores e perca competitividade frente ao resto do mundo.

Em um cenário tão turbulento, os mais afetados são os micro e pequenos empreendedores. Empresas com menos de dez empregados não têm estrutura financeira ou jurídica para atender às demandas da CLT ou para acompanhar suas mudanças, que sempre chegam para complicar ainda mais a gestão desses negócios. Mesmo antes dessa nova atualização, o vínculo trabalhista já previa direitos ao trabalhador que prejudicam consideravelmente a produtividade das empresas, obrigando-as a manter em seus quadros funcionários com baixo rendimento por força de lei, como a estabilidade resultante de diversos fatores.

Como resultado dessa nova atualização feita pelo Ministério do Trabalho, pessoas com problemas psicológicos ou até mesmo usuários de drogas poderão utilizar essa lei de estabilidade para se beneficiar de afastamentos médicos ou até mesmo obter estabilidade no serviço se for atestado que esse problema foi gerado pelo trabalho executado. A questão aqui é que essa situação é um tanto subjetiva para ser diagnosticada e comprovada, e o país não possui estrutura suficiente para garantir que todos os casos sejam analisados com a devida atenção, o que resultará em ainda mais insegurança econômica e jurídica.

Em um país onde historicamente as taxas de desemprego foram elevadas, com uma economia subdesenvolvida que não consegue competir no mercado internacional, seja com a China em bens de consumo, ou com a Europa e EUA em bens com alto valor agregado, o Brasil não pode se dar ao luxo de continuar impondo dificuldades às suas empresas e empreendedores. Caso sigamos por esse caminho, o futuro nos reserva ainda mais pobreza, miséria e fome.


quinta-feira, 19 de outubro de 2023

A inércia do setor de Bares e Restaurantes de Londrina.



A falta de unidade no setor de bares e restaurantes está se tornando um grande obstáculo para o desenvolvimento dessa área crucial em Londrina, no estado do Paraná. Conhecida por sua vibrante indústria de serviços, a cidade depende muito desse setor para gerar empregos e renda, especialmente devido à carência de indústrias na região.

No entanto, nos últimos anos, os bares e restaurantes têm enfrentado uma série de desafios que ameaçam minar essa atividade tão vital e trabalhosa. A cidade possui duas instituições respeitáveis, a ABRASEL e a ACIL, que poderiam ter um papel mais ativo na defesa dos interesses dessas empresas, mas até agora, sua atuação tem sido limitada, principalmente no que diz respeito à formulação de políticas públicas.

Para impulsionar o progresso do setor, é essencial adotar uma abordagem de duas frentes:

1. Trabalho de base com treinamentos e capacitação: Historicamente, a ABRASEL tem desempenhado um papel importante no fornecimento de treinamentos, cursos e eventos que fortalecem a comunicação entre os empresários e oferecem ferramentas de consultoria para lidar com questões administrativas complexas. No entanto, o setor precisa de mais do que isso.

2. Intervenção efetiva em políticas públicas do município: Para realmente fazer a diferença no cenário legislativo, é preciso ir além de reuniões infrutíferas e adotar uma abordagem mais ativa em relação ao poder público. Isso poderia envolver a nomeação de representantes do setor no poder legislativo da cidade, capazes de criar e influenciar políticas em benefício das empresas de bares e restaurantes. Além disso, essas instituições podem unir os empresários da cidade para se manifestar de forma organizada sobre esses assuntos, uma ação que tem sido notavelmente ausente em Londrina.

Recentemente, muitos empresários têm se queixado da forte influência dos sindicatos trabalhistas, que elaboram Convenções Coletivas de Trabalho sem consultar as empresas do setor. Isso cria regras muitas vezes impraticáveis, aumentando os custos para cumprir as exigências da CCT e gerando insatisfação geral entre os empresários.

Essa situação é, em grande parte, resultado da falta de unidade no setor. No entanto, é crucial enfatizar que essa desunião não é por falta de vontade dos empresários, que já enfrentam desafios diários para manter suas portas abertas. Ela é, antes de tudo, um reflexo da falta de ação das entidades que deveriam representá-los, como a ABRASEL e a ACIL. Somente reconhecendo essa fraqueza e adotando medidas para resolvê-la, Londrina poderá ter um setor de bares e restaurantes forte, cujas empresas possam colher os frutos do árduo trabalho diário, gerando empregos e impulsionando a economia do município.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

3.7

 

Ontem fiz 37 e acabou acontecendo uma festa não planejada. Em cima da hora mandamos umas mensagens em alguns grupos, compramos uns salgadinhos e todo mundo apareceu. A Raquel nunca permite que aniversários passem branco. Algo bem simples, mas muito satisfatório. Nossos corpos e nossas agendas já não permitem mais aquelas festas a fantasia gigantescas que eu fazia na década passada, e peço desculpas a todos que não estavam lá ontem.

E claro, também não faltou o bolo. Na hora de cortá-lo, a Raquel pediu para cortar de baixo pra cima e fazer um pedido. Deve ser algum daqueles costumes antigos que ninguém faz ideia dos motivos e dos porquês, mas que continua a ser feito. Claro, também o fiz. Mas o pedido eu não fiz.  Acho que seria barganhar demais com Deus depois de tantas coisas maravilhosas que Ele proporcionou na minha vida em tão pouco tempo. Explico: Há poucos meses eu estava cheio de dúvidas e quase sem perspectivas de melhoria aparente. Às vezes a vida vai nos levando e empurrando por caminhos desagradáveis, e nós, por preguiça ou acomodação vamos nos deixando levar. Também vamos aos poucos nos afastando d’Ele, e esquecendo daquela conversa diária tão poderosa. Eu percebi isso e fui me reaproximando, e as coisas foram acontecendo dia após dia, uma melhor que a outra. Então, ontem eu só tinha a agradecer. Pelos amigos, pelo trabalho, pela esposa, pela vida, pela saúde, pelo Corinthians invicto há 10 jogos, pela família! Mas principalmente pelo sentimento e gratidão de ter a certeza absoluta que Deus me ama e sempre me aceita “de volta”.

E eu digo com certeza mais que absoluta que Ele te ama e te aceita também. E quando você perceber isso, garanto, verá o quão poderoso e maravilhoso é esse sentimento. E verá também como coisas maravilhosas vão acontecer na sua vida. Por isso eu não pedi nada. Por isso eu agradeci, e por isso estou escrevendo esse texto: para dizer pra você que Deus te ama muito e tem um plano perfeito para sua vida, que pode começar a se realizar hoje. Não precisa fazer nada demais. Basta sentar na cama, fechar os olhos e dizer: “oi, Sumido”. Simples assim e até mesmo as palavras vão começar a surgir na sua cabeça. Depois é só seguir e fazer as coisas que Ele te colocar no coração, parando de dar atenção ao que te "sopram" no ouvido. Tente e você vai ver!

Obrigado, Pai.


quinta-feira, 13 de abril de 2023

Ainda existem boas pessoas.

 

Hoje foi dia de fazer algo que tenho pavor: enfrentar a burocracia do Estado brasileiro. Como já sou vacinado contra isso, juntei todos os documentos que estava em meu alcance e fui à luta! Mas acredite. Por mais que você se prepare, a burocracia brasileira vai dar um jeito de te vencer. Mas hoje foi diferente. Quanto mais a burocracia tentava me derrubar, mais as pessoas pareciam se esforçar para me ajudar.

Foi assim quando cheguei a agencia da Caixa e já fui surpreendido pela recepcionista me alertando que precisaria de uma Xerox do documento de identidade. Em plena era da informação e da digitalização, a Caixa ainda pede papeis. E para meu desespero, depois do PIX, eu nunca mais andei com dinheiro. Não que eu não carregue uma nota de cinqüenta reais. Eu não carrego uma moeda de um real no bolso. Foi nesse momento que apareceu meu primeiro anjo. O senhorzinho do Xerox que fica com suas máquinas na calçada em frente à agencia. Perguntei se aceitava pix e falei que não estava com dinheiro. Ele fez o serviço e falou que podia passar outra hora deixar o valor para ele. Com o papel em mãos fui para o atendimento. A Helena me atendeu, uma senhora simpática. Começou a olhar meus dados – que estão um completo caos e totalmente desatualizados – e verificar os papeis. Explicou-me detalhadamente as instruções e disse que eu iria precisar de mais um papel impresso. Fiquei desolado. Eu não podia pedir mais um favor para o tio da impressão. Tentei argumentar falando que teria que voltar pra casa por causa do dinheiro e a Helena continuou o atendimento. Após terminar ela fez uma das coisas mais surpreendentes que eu já vivi: pegou uma nota e R$ 5,00 da própria bolsa e me entregou. Disse que sem o papel eu não conseguiria finalizar o processo e o dinheiro era para a impressão. Essa é uma daquelas situações na vida que você simplesmente não consegue reagir. Falei que já traria novamente e ela insistiu que não precisava, pois já estava saindo para o almoço. Peguei o dinheiro e fui seguir o processo burocrático, fazendo a impressão e pagando o senhor do Xerox com os R$ 5,00 e deixando o troco com ele. Estava tão embasbacado que nem consegui agradecer a Helena corretamente. Ainda bem que voltando à agencia (sim, tive que sair do prédio, pegar outra senha e voltar) lembrei do PIX e consegui pegar o número com ela para devolver o dinheiro. Com toda essa ajuda, consegui finalizar todo o procedimento. Era um dia para ficar extremamente nervoso e revoltado com a situação do nosso país, mas as pessoas que Deus colocou no meu caminho fizeram que eu voltasse para casa com uma sensação incrível de paz.

Ainda não consegui agradecer a todos pela ajuda. Pode parecer algo bem simples e sem importância, até algo bem pequeno. Mas são nas pequenas atitudes e ações que as pessoas mostram verdadeiramente quem são. A preocupação, a determinação, a empatia, o respeito com o próximo são valores dos mais caros que uma pessoa pode carregar e eu luto para ser como a Helena e o tiozinho do Xerox. Obrigado aos dois. Consegui passar numa panificadora e enviar um mimo para a Helena, espero que ela goste.

 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Porque o Brasil “dançou”.

 



Chegamos ao fim de mais uma Copa do Mundo e, mais uma vez, “dançamos”, entre aspas e literalmente. Ficamos pelo caminho e ainda tivemos que assistir nosso maior rival chegar à glória máxima do futebol. Ao menos tivemos, junto com o resto do mundo, o prazer de ver o grande jogador dessa geração conquistar a sua tão sonhada e merecida Copa: Lionel Messi.

Confesso que eu tinha convicção que a nossa seleção estaria disputando a final ontem. Para provar e firmar a minha certeza, cheguei até a fazer duas apostas com amigos. Resultado: estou devendo um fardo de Heineken e um churrasco. Mas não pensem que sou um mero apostador. Acompanhei toda a evolução do nosso time, liderado pelo multicampeão Tite e por um Neymar em um eterno processo de amadurecimento. Acontece que o time tinha mais. Era equilibrado, veloz, tático, e batizado no fogo com uma grande derrota, exatamente para a Argentina em pleno Maracanã. Era o momento ideal para chegar maduro na Copa e brigar pelo título. O problema é que nenhuma seleção chega pronta para a Copa. O campeão é formado durante a competição. Por isso a Copa é maravilhosa. O time precisa encontrar a união e evolução necessárias durante os 30 dias do torneio, e quem está melhor na reta final leva. Talvez a única exceção que eu tenha visto seja a Alemanha de 2014, que sobrou do início ao fim. As demais sempre são moldadas durante. O Brasil pecou nesse ponto. Não teve maturidade para se encontrar e não teve liderança para fechar o grupo em prol do objetivo. Sobraram dancinhas e faltou foco e comprometimento.

A Argentina e a França seguiram o caminho da Glória e ambas seriam campeãs justas. Para o bem do futebol foi a Argentina, com um Messi carregando a seleção nas costas, assim como fez o grande ídolo do país, Maradona, em 1986. Talvez as únicas duas copas onde um jogador foi, sozinho, tão decisivo na competição. Messi, campeão de tudo na sua brilhante carreira, agora sim, tem seu merecido lugar no panteão dos grandes jogadores da história. Poucos brilharam tanto e durante tanto tempo. Poucos conquistaram tantos títulos, e poucos foram tão importantes. Pelé, Ronaldo, Zidane, Romário, Garrincha, Maradona, e, agora, Lionel Messi. As discussões sobre os maiores são intermináveis, mas é indiscutível que o brilho do atual campeão foi o mais longevo de todos. Parabéns, pequeno gigante.


sábado, 10 de dezembro de 2022

PROCURA-SE: LÍDERES

 


PROCURA-SE: LIDERES

Porra! Como é doloroso perder. Há derrotas mais dolorosas e menos dolorosas, mas sempre são difíceis. A de ontem, foi tão traumática como a de 2018 frente à Bélgica e diferente do 7x1. O que as separa, nessa análise, é o rendimento do time. Jogamos bem mais uma vez, paramos no goleiro, e vimos tudo desandar em uma jogada de desatenção.  Mas por que nossa seleção não consegue vencer a Copa do Mundo? Não nos falta material humano e foram oito anos de planejamento. O time brasileiro tinha, de longe, o elenco mais dinâmico e com qualidades individuais da Copa, e sucumbimos para um time sem tantos talentos, mas com uma equipe mais coesa e com um líder. Talvez aqui esteja o grande problema dessa geração: a falta de liderança.

Liderar não é um processo objetivo, onde se escolhe o líder pelos números e desempenho. A liderança é produto de ações subjetivas e da presença de valores no líder. Normalmente é um processo natural aonde o sujeito vai sendo direcionado ao posto, mesmo contra sua vontade ou ambição. Ele simplesmente se vê liderando, pois sua base de valores faz com que os demais o enxerguem como líder, fazendo com que o sigam e confiem. Nossa seleção não tem ninguém assim. Até mesmo o técnico Tite decepcionou o Brasil e sua equipe abandonando todos em campo, sozinhos, após a derrota. Logo o Adenor, onde eu sempre enxerguei um grande exemplo de líder, mas que também deixou se levar pela arrogância ou foi derrotado pelos holofotes das estrelas. Ademais, era necessário um líder em campo.

Se formos relembrar nossos últimos dois títulos mundiais, veremos que tínhamos verdadeiros líderes no elenco. Em 94 o Dunga conseguiu controlar uma das pessoas mais incontroláveis da história do Futebol, que era o Romário. O baixinho era terrível e não aceitava ordens de ninguém. O capitão do time conseguiu domar o artilheiro e fomos campeões. Em 2002 o Brasil não era nem de perto favorito. Hoje, as pessoas olham o elenco e acham que o título era óbvio, mas aquela seleção era tão incontrolável pelo perfil “maluco” dos atletas que chegou a ser negada por alguns técnicos. A exemplo, o Ronaldinho Gaúcho era notícia nos jornais por driblar a segurança de hotéis para que mulheres entrassem no seu quarto na calada da noite. Somente Felipão aceitou o desafio e literalmente isolou os jogadores como prisioneiros na concentração para que mantivessem o foco, e no elenco tínhamos homens de respeito como Cafu e Dida, que lideraram. Um mais ativamente e o outro mais em silêncio, apenas como exemplo. Campeões mais uma vez. Depois disso, nunca mais!

O Brasil perdeu a noção de liderança no futebol e no país como um todo. As pessoas simplesmente deixaram de colocar os valores como referência e passaram a dar prioridade para outros tipos de coisas, além do fato de que essa geração odeia compromissos, odeia honrar com a palavra e odeia o peso da responsabilidade. Isso não cria líderes, e sem líderes somos como ovelhas esperando os lobos chegarem. E eles sempre chegam!

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

O Brasil perdeu.


Você pode considerar o título desse texto um tanto quanto arrogante, afinal, metade do Brasil ganhou. Para ser exato, 60.345.999 eleitores votaram no candidato vencedor e hoje estão felizes e comemorando a vitória. Mas eu não olho a política como uma partida de futebol, e sei, com quase certeza absoluta, que todos perderam. A única possibilidade de essa afirmação estar errada é o ex-presidiário executar um governo com uma boa administração pública, e sem assaltar o país, o que acho impossível. As outras possibilidades, todas, são ruins. E o Brasil perdeu, também, porque seu povo está dividido como nunca esteve. Não temos mais coalizão como nação.

A minha derrota nessa eleição é um pouco mais complexa que para a maioria. Significa o fim de uma etapa e um fim de um sonho. Hoje, começo uma reestruturação pessoal e profissional. Pretendo vender minha empresa e fazer um currículo para trabalhar em qualquer lugar. Cresci dentro de uma empresa familiar e fui direcionado ao empreendedorismo desde muito cedo. Passei todos os anos dos governos petistas sendo empresário. Fui a inúmeras audiências de reclamações trabalhistas e sei bem o que é ser humilhado por um juiz que está defendendo a parte “mais fraca”, a qual está se valendo de inúmeras mentiras  - não é figura de linguagem, é uma regra. Sei bem o que é receber um fiscal da prefeitura e vê-lo olhando minuciosamente cada detalhe da empresa até encontrar algo errado para justificar a negativa da licença. Sei bem o que é perder horas para organizar aparatos burocráticos para cumprir as regras fiscais e a legislação. Não tenho saúde para isso mais.

Também acho que o país perdeu porque voltaremos a ser fornecedores de verba para os países vizinhos, seremos a central do Foro de São Paulo e pilar de sustentação financeira de ditaduras, até que, ao fim, teremos uma ditadura para chamar de nossa. A irresponsabilidade com o dinheiro público vai levar, inevitavelmente, o país para uma nova recessão nos próximos anos e teremos mais uma década perdida. Logo os escândalos de corrupção começarão a pipocar nos noticiários, mas dessa vez nada poderá ser feito, pois os “erros” que o PT cometeu na década passada não voltarão a acontecer e, dessa vez, terão êxito em ocultar os desmandos. O dinheiro que deveria ir para a saúde, segurança e infraestrutura acabará no bolso dos corruptos. Sobrarão ao povo somente as esmolas e restos dos pratos de picanha.

Meu objetivo aqui não é ser apocalíptico e pessimista, mas é apenas uma constatação de uma realidade que já aconteceu e deverá se repetir. Espero do fundo do coração estar errado, e que todos vocês que estão rindo nesse momento, estejam certos. Vou orar por isso. Mas a minha elevação espiritual acaba aqui. Não sentirei pena quando a coisa desandar. Não sentirei pena das regiões do Brasil que foram decisivas para isso, pois elas serão as primeiras a ser mantidas na escravidão ideológica. A escolha foi feita e as conseqüências serão fortes.  De hoje em diante, meus esforços para tentar “fazer a minha parte” chegam ao fim. Focarei na minha família e no trabalho e em ignorar e esquecer essa triste etapa da minha vida. Espero um dia olhar para isso apenas como uma triste lembrança. Derrotas sempre são ruins. Já passei por muitas com o meu Corinthians. Mas, você dorme e no outro dia tudo acabou. Essa é muito pior, pois nossa desgraça acabou apenas de começar.

sábado, 22 de outubro de 2022

Como fazer uma revolução comunista.


O comunismo, depois de adormecido pelos próprios comunistas, voltou a ser pauta dos debates nos últimos anos. Parte da população alerta para os perigos da volta dos regimes e parte ridiculariza tal possibilidade. A realidade mostra, para quem quer ver, que o primeiro grupo tem razão. Basta olhar os caminhos que muitos países na América do Sul tem seguido, como Venezuela, Argentina e Chile. Mas, hoje, a revolução comunista mudou de cara e aposta na revolução a longo prazo. 

As primeiras revoluções comunistas em meados do século XIX apostaram na mudança brusca e através da luta armada e tomada do poder. Grupos se utilizaram das teorias marxistas e transformaram o grande trunfo da revolução industrial, que era a multiplicação de riqueza em um embuste, chamado de desigualdade social. Assim, se apropriaram do proletariado para combater a burguesia, angariando força para fazer a revolução. O objetivo principal nunca foi o de defender os trabalhadores, mas sim, utilizá-los como massa de manobra para a tomada do poder e do Estado. As revoluções foram um “sucesso”, pois o poder foi tomado, mas a população logo percebeu que foi enganada e teve de ser domada à força e trancafiada dentro de muros. O resultado foi milhões de mortes, fome, miséria e caos social. 

Com a realidade sendo enfrentada, os comunistas voltaram ao planejamento para criar novas estratégias de implantar o regime de maneira mais eficiente. Dentro do complexo mix de ações, estava a conversão massiva de pessoas adeptas ao regime, para que somente depois de ter milhões de seguidores, o poder fosse tomado através das vias democráticas. Esses seguidores deveriam estar espalhados por toda a sociedade civil do país, mas em sua maioria, acomodados nas instituições estatais, como universidades e funcionalismo público, além é claro, de dominar a produção cultural e a imprensa. De início a cooptação das pessoas foi feita com promessas utópicas de bem estar social e igualdade, focando majoritariamente na juventude, que pouco tem de noções da realidade e dos valores ocidentais, como Deus, pátria e família e, portanto, presas fáceis para as insanidades comunistas. Mas aos poucos aquele lema de defesa do proletariado foi abandonado e trocado pela defesa das minorias, levando a mais divisão social, onde cada grupo teria um objetivo de luta da sua “classe” e o Estado seria o grande provedor de força para suas conquistas, e o ideal de Liberdade trocado por libertinagem, a progressiva destruição da fé e da família.

Nos países vizinhos essa receita foi um sucesso, pois são menores e foi mais rápido. No Brasil, chegamos à beira do precipício, com uma sociedade inerte e adormecida, que viu o PT governar o país por 14 anos. Apenas o colapso da gestão pestista com as denuncias da Lava Jato fez com que o país acordasse. As pessoas saíram das cavernas intelectuais e começaram a perceber que algo estava errado naquele sistema e notaram o risco que o país corria. Muitos saíram sedentos por aprender as teorias conservadoras e liberais, onde o Estado não deve ser o provedor de bem estar social, apenas um suporte. Assim, com o esforço intelectual e com a ajuda da tecnologia, o movimento conservador rapidamente ganhou corpo e hoje é de grande relevância no país, conseguindo ter um Presidente eleito e a maioria na Câmara de deputados e no Senado para 2023.

Apesar das conquistas, muitos ainda se enganam ao acreditar que o movimento comunista está morto ou é apenas um espantalho usado pelos conservadores. As táticas comunistas foram aperfeiçoadas e por muito pouco o poder não foi tomado de maneira definitiva pela extrema esquerda brasileira. Precisamos, hoje, mais do que nunca, entender as nuances desse movimento sanguinário e suas estratégias. Por hora estamos salvos, mas o voto em Jair Bolsonaro dia 30 de outubro é essencial para que o comunismo continue a ser combatido.

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