Quem já jogou futebol na infância conhece uma expressão que era usada com certo desdém por alguns mais habilidosos que os demais: “eu contra rapa”. Esse termo significava que era um contra o resto, contra todos. Durante esses três primeiros anos de governo Bolsonaro, foi isso que vimos no cenário político brasileiro. Foi todo mundo contra Bolsonaro. Todos que discordavam de algo do governo, ou eram de fato oposição declarada desde antes das eleições de 2018, se uniram em uníssono para bradar “fora Bolsonaro”. Acontece que ano que vem teremos novas eleições e bastante coisa vai mudar até lá, além de que algumas coisas nunca mudam: A ganância pelo poder não vai permitir que os opositores se mantenham unidos.
Faltando um ano para as
eleições, os bastidores da política nacional começar a ficar cada vez mais
aquecidos. É nessa época que as reuniões dos partidos começam a acontecer para
definir quem serão os candidatos, quem terá destaque maior para reunir capital
político, e outros detalhes menos nobres mais ligados ao poder, como quem
organizará os “esquemas”, quem indicara ou será indicado para cargos
importantes, normalmente na presidência de estatais, etc. Esse é o modus
operandi da esquerda brasileira. Sempre foi, e sempre será. Mas isso leva a
discussões calorosas e a uma guerra de egos que certamente causará abalos na
oposição. Essa ruptura já começou, com Ciro discutindo com Lula e Dilma nos
bastidores e Dória e Leite trocando farpas. A coisa tende só a aumentar.
Em 2018, Bolsonaro conseguiu
se manter firme na disputa pela presidência exatamente por esse motivo. A
esquerda apresentou diversos candidatos e nenhum deles conseguiu aglutinar
votos o suficiente para derrubar o capitão. Essa luta de egos pode ser, mais
uma vez, fator fundamental para a continuidade de Bolsonaro na Presidência, que
aos trancos e barrancos, mas de maneira muito eficiente, conseguiu reunir uma
cúpula de líderes fieis. Não vemos os principais ministros batendo de frente
com Bolsonaro, e por mais que existam rusgas e a imprensa tente transformá-las
em escândalos, nada tem saído do controle bolsonarista. Mais uma vez a esquerda
tomará do seu próprio veneno e amargará mais quatro anos sendo coadjuvante no poder.
Assim espero. Assim, será melhor para o Brasil.
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