Jair Messias Bolsonaro é um cara verdadeiro! Essa afirmação esteve muito presente na mídia e nas redes sociais nos últimos dias, após o Presidente ser tirado do sério por uma humorista no programa Pânico e em seguida abandonar a entrevista. É uma afirmação que pode ser vista como um grande elogio, ou como uma sonora crítica, mas é um fato, e não é novidade nenhuma, que esse governo precisa urgentemente profissionalizar sua comunicação. O Governo precisa de um assessor de imprensa capaz de se comunicar de maneira clara com o público, que esclareça dúvidas, consiga derrubar narrativas e que evite que ocorram mal-entendidos junto à opinião pública. O Governo precisa de um setor de relações públicas que demonstre os pontos positivos da gestão, divulgue o que está sendo feito, os planos e projetos e trabalhe para melhorar a imagem do país. É péssimo para o Brasil que a comunicação esteja sendo executada de maneira tão amadora e atabalhoada.
É verdade que o Presidente é
um cara verdadeiro. Inclusive, foi esse jeito peculiar de se comunicar que
convenceu o povo a votar nele, pois, cansado de políticos sem tempero e quase
que robóticos, Jair se posicionou como algo diferente, e sua sinceridade, mesmo
que muitas vezes inoportuna, o levou à cadeira presidencial. Entretanto, hoje,
Bolsonaro é o Presidente do país, e desde o primeiro dia de mandato, a
comunicação vem sendo um dos pontos mais baixos do Governo. O Presidente optou
por cuidar ele mesmo desse setor e, de maneira bastante amadora e sem
planejamento, faz lives e concede entrevistas improvisadas que acabam rendendo
polêmicas e minando a popularidade do governo. Essa situação é péssima para o
país e para o próprio Presidente, que a cada dia parece mais esgotado e
fatigado.
O Presidente não precisa mudar
seu jeito de ser. A sinceridade e a informalidade transmitem segurança para o seu
público, mas é necessário um acompanhamento profissional e um planejamento para
evitar situações que fujam do controle. A imensa maioria dos Presidentes no
mundo não concedem entrevistas sem ter controle das perguntas que serão feitas.
É um direito e uma segurança controlar esse ambiente para evitar que
jornalistas coadjuvantes tentem tomar o lugar de destaque do entrevistado e
queriam se tornar a notícia, como aconteceu no programa Pânico. Bolsonaro não
está totalmente sem razão em abandonar a entrevista, pois a pergunta foi
claramente feita com desdém e ares de provocação, mas o Presidente sabia muito
bem onde estava entrando, e aceitou se colocar nessa posição. Um erro básico e
amador. Agora, todos têm noção clara desse ponto fraco do Presidente e muitos
farão de tudo para despertar sua fúria e tira-lo do sério, principalmente no
ano eleitoral que está prestes a começar. Se o Presidente for para um debate,
então, tudo pode acontecer. E ele precisará ir! Portando, Bolsonaro precisa de
ajuda urgentemente. Precisa de profissionais capacitados para gerir a comunicação
e a imagem do governo. Jair precisa, ele mesmo, se capacitar, se preparar, se
profissionalizar, pois o mundo odeia amadores.
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