terça-feira, 17 de setembro de 2024

A Queda do Bolsonarismo

 

 


Nos últimos anos o Brasil vem passando por uma onda de polarização política nunca antes vista na história do país. Mesmo durante o regime militar, quando os militares tomaram o poder usando como justificativa a defesa contra um projeto de implantação do comunismo no Brasil, não se viu algo tão extremo. Até mesmo porque a direita era apenas uma força de defesa contra a esquerda comunista, e seus membros ainda não tinham uma noção clara dos valores que defendiam. Muito por isso a esquerda perdeu a luta armada, mas dominou as instituições, veículos de comunicação e a cultura. Ou seja: tudo que era necessário para fazer uma revolução cultural e vencer as eleições presidenciais décadas depois, colocando em prática seu projeto de perpetuação no poder. Esse é o grande motor por trás das cinco vitórias do pelo PT após 2002, além do domínio em todas as casas legislativas do país durante anos, e de garantir várias indicações ao STF.

Em paralelo, alguns pensadores conservadores batalhavam às margens dos holofotes para combater o projeto da esquerda e criar um movimento de direita com bases e valores sólidos, buscando pessoas a quem pudessem preparar e representar o conservadorismo no Brasil. O mais célebre foi o Professor Olavo de Carvalho, que construiu toda a sua obra em torno desse objetivo. Foram dezenas de livros escritos, centenas de palestras ministradas e milhares de horas-aula dedicadas a compartilhar seus ensinamentos com um público cada vez mais numeroso e dedicado.

O professor Olavo foi o grande arquiteto do que conhecemos como direita no Brasil hoje. Suas ideias foram tão fortemente disseminadas e seus alunos conseguiram alcançar tanto prestígio que, em conjunto com os escândalos de corrupção do PT, o Brasil pôde acompanhar um processo massivo de manifestações e revolta popular no país ainda em meados de 2014, o que culminou com o impeachment da Dilma em 2016. Era o fim do projeto de perpetuação no poder da esquerda.

Em meio ao caos político, Jair Messias Bolsonaro surgiu como o representante da direita conservadora no país. Foi um processo natural, pois, para que eleições presidenciais possam ser vencidas, é necessário que exista um político forte e popular. Bolsonaro cumpria com esses requisitos e abraçou as ideias conservadoras do professor Olavo. Combinação perfeita para se juntar à revolta popular contra o PT e vencer as eleições de 2018. Mas o próprio professor Olavo dizia que tudo estava indo rápido demais, e que a direita ainda não estava pronta para se sustentar no poder do país, pois ainda não havia dominado as instituições e apenas a cadeira da presidência não significava estar de fato no poder.  Certeiro como sempre, o que se viu nos anos seguintes foi uma onda de apoio cego a um político, e não às bases de ideias e valores conservadores, e assim surgiu o bolsonarismo, um movimento de apoio ao presidente eleito que passou a lutar com unhas e dentes para mantê-lo no poder e defendê-lo dos contra-ataques do establishment que queria derrubá-lo a qualquer custo. O resultado dessa guerra foi a volta do PT ao poder em 2022 e de todos os esquemas e mamatas contra as quais a população havia se revoltado na década anterior. Eis que o projeto de perpetuação no poder do PT tinha recebido apenas um golpe, mas longe de encontrar seu fim.

Após as eleições e alguns suspiros de revolta popular, e com seu líder afugentado nos EUA, os bolsonaristas abandonaram suas origens e bases de valores, deixando lugar apenas para apoiar um político que cada vez mais se entregou ao sistema para manter-se vivo. Atacado diariamente por um establishment que vê a necessidade de destruí-lo completamente, o ex-presidente se uniu à personagens como o ex-mensaleiro Valdemar Costa Neto e apoia a campanha de Ricardo Nunes à prefeitura de São Paulo, que prendeu pessoas e demitiu funcionários durante a pandemia. Os bolsonaristas, cegos por sua idolatria, continuam apoiando essas ações, enquanto os verdadeiros conservadores abriram os olhos e estão buscando outros caminhos para o futuro do país. Essa divisão fica cada vez evidente e, caso nada mude, veremos o fim do bolsonarismo no país em breve, pois o movimento conservador é sustentado por valores e não por pessoas: liberdade, fé em Deus, livre mercado e redução do tamanho do Estado. Longe dessas bases, o ex-presidente está fadado ao suicídio político e, junto com ele, o bolsonarismo. Mas o conservadorismo, esse sim capitaneado pelo grande professor Olavo de Carvalho, têm vida longa no país.

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Xandão VS Musk

 


No dia em que escrevo esse artigo, o Brasil acompanha atento a briga entre o Ministro Alexandre de Moraes e o empresário Elon Musk, dono da rede social X (antigo Twitter), que está na iminência de ser suspensa no país. Depois de uma série de notificações, multas e ordens judiciais descumpridas pela rede e a extinção da personalidade jurídica da empresa no país, o Ministro do STF dobrou mais uma vez a aposta e todos os brasileiros que utilizam os serviços do X serão afetados. Mas além das discussões jurídicas, o que vemos é uma discussão sobre democracia e liberdade.

A plataforma ficou muito conhecida por ser o cenário de grandes discussões e debates políticos, além de ser a ferramenta utilizada por muitos usuários para criticar o Ministro Alexandre de Moraes. Depois de uma perseguição voraz contra essas pessoas, onde o ministro se utilizava da “lei” para ordenar a exclusão de contas e, por consequência, silenciar vozes, o que configura censura prévia e é taxativamente proibida pela constituição brasileira, o excelentíssimo optou por calar a todos de uma só vez. A rede social, por meio de seu proprietário, Elon Musk, optou por não mais obedecer às ordens do ministro, em uma clara ação de rebelião. Mas em terras brasileiras, ninguém pode afrontar o líder máximo da nação.

Um dia ouvimos da boca de Martin Luther King a seguinte frase: “É nosso dever moral, e obrigação, desobedecer a uma lei injusta.” No Brasil, as ações do Ministro Alexandre vão muito além de leis injustas, pois subjugam a constituição para seguir suas fantasias e elucubrações pérfidas acerca dos direitos individuais no país. Há muito que o Ministro vem ignorando as leis para perseguir seus opositores e seus críticos. Não foram poucos os que se negaram e resistiram, acarretando em resultados trágicos para todos. Alguns fugiram do país e continuam a lutar de terras longínquas, e para quem ficou, a sensação de medo e a obediência ao chicote tomaram conta das suas vidas. Aos demais, prisão.

Os ensinamentos de Martin Luther King ficaram na história e foram engolidos pelo sistema. Suas palavras foram reinterpretadas e esquecidas. Hoje vemos um cenário de briga política e os envolvidos apenas lutando pelos seus interesses. Nesse cenário, até existem pessoas defendendo as ações do Ministro Alexandre de Moraes que, por sua vez, diz agir em defesa da democracia. Mal sabem todos que nessa ânsia por salvar a democracia, acabaram por assassiná-la.


quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Centro de Eventos de Londrina

 


Nessa semana está sendo realizado em Campinas/SP o Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, na Expo Dom Pedro. São quatro dias de uma programação intensa, que recebe participantes e palestrantes de todas as regiões do Brasil e diversos países. Esse tipo de evento movimenta a cidade trazendo investimentos e consumo em todo o ecossistema ligado aos setores envolvidos. O local escolhido tem capacidade para receber até 15 mil pessoas, e tem uma agenda bastante concorrida durante todo o calendário anual. O que chama a atenção para um londrinense é o sentimento de que Londrina não recebe tantos eventos similares, ou que teria a capacidade para receber mais do que recebe atualmente. Em especial, no Centro de Eventos de Londrina, que parece ser utilizado em pouquíssimas oportunidades durante o ano.

Londrina tem uma região metropolitana com mais de 1 milhão de habitantes e é um polo em diversos setores, como o da saúde, tecnologia e agronegócio. A cidade possui uma estrutura completa para receber visitantes, contando com uma rede hoteleira e gastronômica extremamente diversificada e numerosa. Portanto, é difícil para o cidadão comum compreender a baixa movimentação em um local com tamanha estrutura como o Centro de Eventos de Londrina. O local possui uma capacidade de público ainda maior que a Expo Dom Pedro, podendo receber até 16 mil pessoas - segundo o site da CODEL - além de estar localizado em uma região extremamente nobre e de fácil acesso.

Já existem em Londrina diversas iniciativas e órgãos que se empenham em debater o desenvolvimento da cidade em diversas frentes e certamente essa discussão já foi tema da pauta nas reuniões. Mas o que o poder público poderia fazer para colaborar? Se pegarmos como exemplo grandes cidades no Brasil e no mundo que são famosas por receber grandes eventos, podemos colher alguns ensinamentos e descobrir o caminho. Entretanto, em se falando de poder público, um bom início seria simplesmente reduzir a burocracia e entraves que a iniciativa privada enfrenta para realizar eventos na cidade. Mas na contramão disso, recentemente os nossos vereadores estavam discutindo até mesmo uma restrição no horário do funcionamento dos bares da cidade, o que certamente não ajudaria em nada nesse tema. As empresas e a iniciativa privada normalmente se retroalimentam com investimentos e não precisam de incentivos além do livre mercado para prosperar, basta que o Estado não atrapalhe.

Além dessas questões, a prefeitura poderia, além de facilitar a organização de eventos na cidade, publicitar isso para todo o país, pois são muitas as feiras e congressos que acontecem no Brasil e são poucas as cidades que possuem um Centro de Eventos com os benefícios que o de Londrina oferece. Com um pouco de esforço e um projeto bem executado, Londrina poderia ser um polo também no setor de eventos técnico-científicos, congressos e feiras. Basta aos nossos representantes trabalhar um pouco mais. Ou menos, para não atrapalhar.


terça-feira, 6 de agosto de 2024

Elas vão trazer o ouro!

 

Hoje tivemos um resgate ao futebol brasileiro. A partida da seleção feminina contra a Espanha foi um alento para os anos de desilusões que temos enfrentado nesse esporte, no qual já fomos os melhores do mundo. As meninas do Brasil jogaram uma partida brilhante contra as atuais campeãs do mundo e conseguiram conquistar a tão sonhada vaga na final olímpica, mesmo em meio a tantas críticas e desconfianças. Foi um jogo digno dos grandes jogos da história, e trouxe um clima de paixão que os brasileiros há muitos anos não sentiam. Um espetáculo do esporte, da determinação, da luta e da superação.

Mesmo com uma primeira fase muito ruim, o que segundo a própria Gabi Portilho, levou o Brasil a uma “classificação culposa”, ou seja, sem a intenção de se classificar, as meninas fizeram duas partidas incríveis contra a França e a Espanha, fazendo com que cheguem à final com muita moral para enfrentar as americanas, nosso algoz histórico. Tudo indica que estamos em tempos de redenção e que o Brasil tem toda a capacidade para ganhar o Ouro Olímpico no sábado contra os EUA.

Outro grande desafio para as meninas foi enfrentar a ausência da sua grande líder, Marta, que tem um capítulo à parte nessa história. Eleita seis vezes a melhor do mundo, esteve suspensa durante os dois últimos jogos e segue sendo duramente criticada nas redes sociais. Mas, se estamos em tempos de redenção, essa história indica que a Rainha do futebol também pode ter seu espaço nessa epopéia, fazendo um grande jogo e, quem sabe, sendo decisiva para o título. Certamente a história que ela construiu no futebol merece esse final.

O futebol feminino continua a lutar contra vários adversários. Falta estrutura, apoio, amadurecimento, confiança e investimento. Mas a cada lance da partida de hoje, elas pareciam vencer a tudo e a todos. Ninguém pode acusá-las de falta de brio e paixão, pois jogaram com a alma na ponta das chuteiras. Elas conseguiram resgatar um sentimento há muito tempo esquecido no Brasil: a paixão pelo jogo, pela superação, pela camisa verde-amarela. Isso está levando a um clima também não visto há anos no país: àquele que faz os brasileiros pararem tudo e se doarem completamente aos 90 minutos de futebol. E se elas ganharem, tenho certeza, será a maior comemoração nacional desde o penta em 2002. Força meninas, vocês merecem!

 


terça-feira, 30 de julho de 2024

Paralaxe Cognitiva

 


Neste domingo ocorreram as esperadas eleições na Venezuela. E como todos já previam, Nicolás Maduro anunciou a sua vitória por uma margem muito apertada contra seu opositor Edmundo González em um processo eleitoral absurdamente obscuro e recheado de denúncias de fraude. O resultado tem sido contestado pela oposição e por líderes de outros países, visto que o regime atual ainda não apresentou sequer um boletim de urna onde saiu vitorioso e chegou a anunciar um resultado com 132% de votos apurados. Ao mesmo tempo, a oposição alega que Edmundo venceu a eleição por larga margem. Grandes manifestações estão se iniciando no país pedindo transparência na apuração dos votos e a violência pode tomar conta da Venezuela nos próximos dias. Em paralelo, o Brasil ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o pleito até a manhã desta terça-feira.

Não foram poucos os indícios de fraude nas eleições venezuelanas. Desde as semanas que antecederam a votação, Maduro já fazia movimentos indicando que não haveria nenhuma transparência no processo eleitoral, chegando a expulsar do país observadores internacionais. Mas o que mais chama a atenção no Brasil é o posicionamento da grande mídia, que chegou a taxar o presidente venezuelano de “bolsonarista” há alguns dias. E após a fraudulenta eleição a situação de negação da realidade alcançou níveis alarmantes, com o comentarista político Valdo Cruz, referindo-se ao regime venezuelano como “conservador” e que “de esquerda não tem mais nada, zero”. Esse fenômeno pode ser explicado pelo conceito de paralaxe cognitiva, muito utilizado pelo professor Olavo de Carvalho, que ocorre quando pessoas aderem a entendimentos diferentes de situações comuns, transformando suas perceptivas em diferentes realidades, como se uma pós-verdade fosse criada a respeito de eventos e fatos. Ao mesmo tempo que o jornalista faz essa declaração absurda, seu parceiro afirma que “esquerda é democracia” deixando claro que considera qualquer ideologia de direita como antidemocrática.

Os jornalistas se esqueceram, ou não, de que todos os grandes regimes ditatoriais do mundo atual são pautados por ideologias marxistas e com orientações políticas comunistas: Coreia do Norte, China, Rússia, Cuba, Venezuela, Nicarágua e, seguindo nessa linha, o Brasil. Negar a realidade, ou torcê-la de acordo com suas vontades ou sua própria ideologia não faz com que tal realidade seja alterada. Mas a grande mídia brasileira continua se pautando por mentiras e alucinações jornalísticas para mascarar os fatos. Os venezuelanos, que enfrentam anos de uma crise infindável, são as verdadeiras vítimas desse processo, com muitos tendo que fugir do país para buscar acolhimento nas nações vizinhas, preferindo apostar na sorte do que enfrentar o regime cruel do presidente Nicolás Maduro. Esses são os fatos, e todos que chancelam essa situação ao mentir sobre esse desastre humanitário são cúmplices da tragédia, algumas vezes com culpa, outras vezes com dolo.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Casa quem quer!

Um post na rede social X está dando o que falar. O vídeo mostra um casal, onde a mulher fez uma tatuagem no braço sem informar o marido previamente. No conteúdo exposto, o marido fica indignado com a situação e pede o divórcio. O grande debate é sobre quem tem razão.

Segue o link do vídeo: https://x.com/crfpolonio/status/1817347310202060828

Nesse caso, SE o vídeo for verdadeiro, e SE o marido realmente pediu saiu de casa, não se enganem: a tal tatuagem nem de longe é o grande problema nessa relação. Certamente existe uma história muito longa que antecede esse fato e que levou a um desgaste na relação até que o marido tomou essa atitude.

Não tenho nenhum conhecimento da orientação religiosa do casal em questão, mas quando um casal CRISTÃO opta por se unir perante DEUS, algumas coisas são prometidas no ato. E uma delas é a união da carne e do espírito. Isso pressupõe e implica em um compartilhamento de decisões e em abdicar de parte da liberdade que cada um tinha quando solteiros.


Em tempos de culto ao corpo e à libertinagem, as pessoas deixam de se atentar a esse "detalhe" e pensam que, mesmo casados, podem continuar tendo suas vidas de solteiros. Simplesmente não há união que dure nesse moldes a longo prazo. A vida a dois demanda ouvir, falar e buscar entendimento e compreensão. Portando, coisas grandes ou pequenas devem ser compartilhadas e decididas em conjunto. Não dá para ser "cada um por sí de Deus por todos", como diz o ditado. Até mesmo decisões cotidianas, sobre refeições ou lazer, por exemplo, devem ser definidas em conjunto, pois se não existe entendimento nas coisas pequenas, nunca haverá tal entendimento nas coisas grandes.

terça-feira, 2 de julho de 2024

A queda de um gigante.

 



O Corinthians se encontra em uma das piores fases da sua história. Um clube gigante, campeão de tudo, dono de uma das maiores e mais apaixonadas torcidas do país, que já lotou estádios adversários no Brasil e no Japão. Um time historicamente conhecido como sofredor, por superar dificuldades insuperáveis, cenários improváveis, adversários imbatíveis e por causa das suas origens: fundado por um grupo de operários que queriam se ver representados no futebol, àquela época dominado pelas elites, e que prometia ser “um time do povo, que seria feito pelo povo”. Mas tudo isso ficou na história. Hoje, o Corinthians é um clube sem personalidade, que deixou-se dominar por uma elite corrupta e que viu sua torcida perder-se em narrativas políticas, brigas partidárias e foi dominada por criminosos, que preferem dar um tapa em um adversário do que ver seu time jogar. O clube tem uma dívida impagável, que supera os 3 bilhões de reais, originada por desmandos de uma sequência de diretores incompetentes, mas também pela construção de uma arena luxuosa, vestida em mármore branco e preto, muito distante daquilo que aquele grupo de operários imaginou em 1910.

Mas um legado construído com tanta luta e superação não poderia ser destruído sem um esforço gigantesco por parte dos seus representantes. A crise em si não é novidade. O Corinthians já caiu para a série B em 2007, depois que o clube foi usado e abandonado com dívidas milionárias pela empresa MSI, liderado pelo empresário Kia Joorabchian, até então desconhecido no Brasil. O time caiu de divisão e se reergueu, conquistando grandes títulos nos anos seguintes. Mas o buraco que o time se encontra hoje, tanto financeiramente, quanto de identidade, é muito maior. A dívida bilionária segue crescendo a passos largos e sem um plano de gestão. Os salários estão sendo pagos com atrasos e o clube se vê em meio a um escândalo de desvios de verbas de patrocínio, que levou ao rompimento do contrato com o patrocinador Master de 2024. Esse não é um cenário inédito no Brasil, e todos os times que passaram por situações similares – de escândalos, processos judiciais e dívidas – se viram perto da falência, e caíram de divisão, como o Cruzeiro, Atlético Mineiro e Fluminense.

Mas o cenário piora: parte importante da torcida corintiana optou por atuar ativamente no cenário político altamente polarizado do país, participando de grandes manifestações contra o governo Bolsonaro, e alguns torcedores célebres defenderam que o time tem uma posição ideológica definida: de esquerda. Isso contribuiu para dividir também a torcida, que por definição é um reflexo do país, e certamente possui muitos conservadores que não gostaram de ver seu time do coração se expor e tomar partido em uma discussão política. Também há rupturas internas no clube, e um exemplo é o infeliz episódio com o técnico Cuca, que foi defendido por atletas do time principal, e achincalhado pelas atletas do time feminino do clube, levando a mais uma crise e a sua demissão.

Certamente não é só o Corinthians e a sua torcida que perdem com essa crise sem precedentes. O futebol brasileiro como um todo sofrerá um impacto considerável com a decadência de um de seus gigantes. Provavelmente o time vai se reerguer, resta saber quanto tempo isso vai demorar e quem vai liderar o processo de reestruturação. Mas uma coisa é certa: há muito a ser feito e é uma triste ironia o time do povo se encontrar em um cenário tão caótico originado por megalomanias financeiras. Falando em ironia, nem tudo é ruim: O Corinthians é o atual tetracampeão do campeonato brasileiro e atual campeão paulista, além de liderar com grande folga o brasileirão deste ano. Tudo isso no futebol feminino.


sexta-feira, 21 de junho de 2024

Por que escolher matar um inocente?

 


O PL 1904 continua causando muita polêmica. A pauta defendida pelos contrários ao projeto ganhou um novo, e muito justo, argumento: As vítimas de estupro menores de idade, muitas vezes ainda crianças, que engravidam desse ato horrendo, deveriam ter o direito a abortar, mesmo que após da 22ª semana de gestação, pois muitas vezes descobrem tardiamente a gravidez ou são obrigadas a permanecer em silêncio. Entretanto, essa parece ser a solução mais preguiçosa e cruel. Não existem outras alternativas que não incluam o assassinato de uma vida inocente? Sim existem!

O Estado brasileiro é um dos mais inchados do mundo. Gigantesco e endividado. Mas esse é um caso claro no qual o estado poderia intervir o zelar pela vida e bem estar social. Um projeto visando a proteção das vítimas, oferecendo acolhimento e acompanhamento durante a gestação atrelado ao suporte para que esse bebê seja adotado por uma família que está na fila de adoção poderia reduzir os impactos para todas as vítimas. Esse PL poderia vir acompanhado de uma ajuda de custos às meninas e suas famílias, afinal, o que é mais um gasto num cenário de total irresponsabilidade com o orçamento? É muito melhor investir nesse problema do que, por exemplo, perdoar dívidas bilionárias de empresas corruptas ou oferecer auxílios absurdos a parlamentares, juízes e partidos políticos.

Curiosamente, ninguém está pensando em projetos similares, que protejam a vida e a vítima, e querem apenas uma licença para matar. Também pouco se fala no endurecimento da pena para estupradores. Infelizmente nosso sistema judiciário não oferece segurança o suficiente para condenarmos esses miseráveis com a pena capital (morte), mas pode-se endurecer o período de encarceramento, sem direitos à progressão de pena, saidinhas ou qualquer benefício. Somente punições extremamente duras podem coibir tais animais de cometer essas atrocidades.

O debate político carece de parlamentares mais competentes, que defendam seus pontos de vista, valores e vontade dos seus eleitores, mas que tenham condições de pensar em alternativas práticas que possam ser colocadas na mesa de discussão para que soluções sejam encontradas. A questão do aborto é complexa, e para grandes problemas não existem soluções simples. Mas qualquer projeto de lei responsável deve prezar pela vida dos inocentes e pelo bem estar e recuperação das vítimas. Muitas mulheres que fizeram aborto testemunharam que carregaram esse peso eternamente, pois ainda eram jovens e não tinham a real dimensão do que aquele ato significava. Mas após a flecha lançada, não há volta. Se somar isso ao trauma de um abuso sexual, sem um suporte para amenizar os impactos, podemos ter uma situação irrecuperável de dor pela vida toda.

quinta-feira, 20 de junho de 2024

É necessário ter muita fé para ser ateu.


As discussões sobre o aborto tomaram conta mais uma vez das redes sociais e do congresso motivadas pela PL 1904/2024 que equipara o aborto após a 22ª semana ao crime de homicídio. Alguns dos debates mais acalorados tratam de definir em que período da gestação o feto passa a ser uma vida humana. Alguns defendem que isso acontece somente após o nascimento, e assim, o aborto deveria ser legalizado em qualquer período. Outros defendem que logo após a concepção já existe uma vida. É óbvio que as discussões, invariavelmente, passam pelo tabu religião x ciência, o que esquenta ainda mais os debates.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Para se fortalecer, o Estado precisa diminuir.

 


A tragédia causada pelas chuvas que estão afligindo o estado do Rio Grande do Sul é o atestado de incapacidade gerencial e de planejamento  do Governo Brasileiro. Absolutamente tudo o que deveria ser feito, e que era papel do Estado, foi negligenciado durante anos, o que culminou em uma situação de calamidade pública sem precedentes. Para agravar a situação, o Governo foi completamente apático durante os primeiros dias das inundações, exatamente aqueles que são os mais importantes nesse tipo de situação. Nenhuma das esferas políticas tinha um plano de ação preparado e o que vimos foram agentes públicos perdidos e, inclusive, atrapalhando aqueles que realmente estavam se organizando e agindo: a iniciativa privada e a população.

Existe um consenso entre muitos de que, para um Estado ser forte, ele precisa ser grande. Esse é um erro básico no entendimento das funções e atribuições dos Governos. A verdade é exatamente oposta: para um estado ser forte é necessário que seja pequeno. No Brasil, temos um aparato público gigantesco, que tenta abraçar todo o composto de necessidades da população e ainda chama para si a responsabilidade de ser o indutor do crescimento. Sendo assim, o Estado brasileiro conta com milhões de funcionários públicos, com uma gestão completamente engessada e burocrática, e uma estrutura de governança do século passado. Além de caro, esse sistema não permite que todas as regiões do Brasil - com dimensões continentais - tracem planos de ação e adaptem a legislação de acordo com seus problemas e necessidades. O dinheiro arrecadado nos estados é direcionado ao poder centralizado em Brasília e, parte dele, redistribuído posteriormente, fazendo com que todas as unidades federativas fiquem sempre com o caixa apertado e não tenham condições de executar projetos importantes, como o de prevenção de desastres.

A solução para esse problema é a redução do tamanho do estado e o empoderamento das unidades federativas, sistema similar ao que acontece, por exemplo, nos EUA. Com um Estado menor e menos influente em relações cotidianas da população, caberia ao governo se preocupar com questões mais importantes e que estejam ao alcance das suas capacidades, como: Educação, Saúde, Segurança e Infraestrutura. Isso refletiria em um estado forte, pois ele teria condições de cumprir com suas obrigações. Ao mesmo tempo, empoderando as unidades federativas, cada estado poderia administrar seus recursos de acordo com suas necessidades e moldar sua legislação para buscar maior competitividade e eficiência na gestão pública. A administração também ficaria mais próxima da população, que teria maiores condições de fiscalizar e cobrar seus representantes. Muito diferente do que acontece hoje, com tudo centralizado em Brasília.

Não é eficiente nem prático que o Estado chame para si a supervisão e mediação de tudo que acontece na sociedade. As pessoas devem ser livres para agir e responder por suas escolhas e ações. Ao Estado, além de manter a lei e a ordem, cabe o papel de oferecer infraestrutura e condições para que a população possa prosperar. De nada adianta ter um estado que acredita ser responsável por tudo, mas que não consegue entregar nada.

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